terça-feira, 20 de setembro de 2011

Palhaço!



"Curso de palhaço?!?! Precisa disso?!?!? O que que alguém vai aprender num curso de palhaço?!?!?!" - me perguntam muitos amigos... a resposta é muito simples: nada, não se aprende nada! Na verdade, desaprendemos.

Vou tentar explicar. Vamos viajar um pouco...

Lembre-se de uma cena comum da sua infância: no colégio, no play, na rua, na piscina, no clube... um local onde você se sentisse muito a vontade quando criança, aos 4/5 anos. Viva novamente esta situação. De verdade. Aproveite a viagem...

Agora afaste-se de si (como numa levitação espíritual) e se veja de fora, como se você estivesse assistindo aquela criança (que é você mesmo) na televisão, ok?

A criança (você) em seu habitat natural, sem medo, sem vergonha, na mais pura essência. Lembre-se que é você que está ali. Assista a você fazer o que você gosta. Correndo, rindo,  jogando bola, atirando, cantando... sei lá, divirta-se como você sempre fez enquanto criança... aliás, aproveite a diversão, de verdade.

Agora aproxime-se de você, como se você tivesse acabado de chegar naquele local. Veja o estado de espírito e a leveza daquela criança.... Aproxime-se de você mesmo, da sua essência, olhe para você, provavelmente com uma bola, um boneco, uma boneca, ou qualquer outro brinquedo na mão... olhe fixamente pra você.

Você se reconhece??? Se identificou com a criança??? Tomara que sim... 

Agora, aproxime-se ainda mais... e mais... dê um abraço naquela criança, em você mesmo. Sinta o cheiro, a leveza, a inocência da sua essência. 

Pronto, agora, abraçado à sua essência, você está no estado palhaço! Palhaço é um estado de espírito, uma sensação, é VOCÊ desprovido de qualquer ego, desprovido de julgamento alheio, sem medo de errar, em perfeita sintonia com sua essência. É a criação de Deus sem qualquer interferência humana/social.

Quando pinta aquela dor de cabeça (ou TPM), ficamos mal humorados, grossos, sem vontade de falar com ninguém, ou reclamando de qualquer coisa, e nem por isso deixamos de ser nós mesmo, certo?  

Então, no estado palhaço, não se vê doença, dor, dificuldade, pena... só se vê o que tem de bom nas pessoas, nas situações, na vida! Não que o palhaço ignore a existência do que é ruim, apenas descarta e não perde tempo com o que é chato, com o que não lhe traz felicidade na hora. 

Tem coisa mais simples, mais palhaço, mais essência, mais divertido, do que Charlie Chaplin e Chaves?? E quanto mais você conecta sua essência, mais você quer estar próximo a ela - aprecie sem moderação!


Por isso você não aprende nada; apenas desaprende ser este personagem do dia-a-dia.

Não seja cool, seja clown!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cosas de la vida 3


A notícia caiu como uma bomba: câncer no sangue (leucemia)! A pequena AB, 6 anos, não tinha ideia da maratona que lhe esperava.

Mudança geral. Ao invés da escola, o hospital; ao invés dos amigos, os médicos e enfermeiros. Saem as brincadeiras entram as injeções. Um duro golpe nela e, claro, na família.  

Mas, criança que se preza não desanima e encara tudo com leveza (adulto é que estraga tudo). O tratamento começa e, junto com ele, a terrível quimioterapia. O hospital compatível com o plano de saúde não tem grande estrutura. 

Passam-se longos meses de internação (sem sair do quarto!!!) e, lamentavelmente, nossa amiga não melhora com a quimio. A solução, então, é o transplante de medula. AB necessita, com urgência, de um doador. Depois de testes, ufa, sua irmã, AC, é compatível e pode fazer a doação que salvará a vida da pequena e, a esta altura, não mais loirinha.

Só que no Rio de Janeiro, apenas o GRAAC, instituição filantrópica, faz esta delicada cirurgia. Imaginem a fila de espera... Outra opção seria em São Paulo, no luxuoso Hospital Sírio Libanês - local acostumado a receber grandes celebridades como o ex-vice presidente e o ator Reynaldo Gianecchini.

O plano dela não cobre o Sírio Libanês. Apenas um laudo médico atestando o grave caso e indicando o pomposo Hospital como única solução salvaria nossa princesa. Parece simples e obvio o laudo, certo? Errado! Com um laudo deste o plano seria obrigado a custear a cirurgia e todo o tratamento num dos hospitais mais caros do país. A conta seria uma fortuna. O plano pressionou o hospital do Rio a não emitir nenhum laudo, sob pena de descredenciamento, o que seria uma catástrofe financeira para o hospital carioca.        

Mesmo colocando o emprego em jogo, Dr. P. - quiçá um anjo da guarda em carne e osso - emitiu o laudo e, na reunião para ouvir o esporro, disse: "faria pela minha filha, faço pela AB, caso discordem é só me demitir!".  

Mesmo com o laudo plano recusou. Mas, diante da prova, não foi difícil para AB conseguir uma liminar determinando sua internação e tratamento no Sírio Libanês.

E lá foi nossa guerreira para São Paulo em mais uma etapa.

Renata (minha dignissíma) que atendia AB como palhaça no hospital do Rio, foi visitá-la em São Paulo. Ao comunicar ao hospital carioca ainda teve que ouvir da diretora: "Que bom!  Então vou preparar uma lembrancinha...". "Legal, AB vai adorar!!!" - respondeu Renata. "Mas não é pra ela, é pro Sírio Libanês... nessas horas sempre é bom estabelecer contatos..." - concluiu a infeliz. Você entregou a lembrancinha? Nem a Renata, que se fez de tonta e se esquivou do assedio da diretora. 
   
Seu tratamento vai muito bem! Ela e a irmã estão em plena preparação para a cirurgia, sendo tratadas como merecem, com status de celebridade! No último sábado (21.8.11) AB recebeu, inesperadamente, duas visitas, que agitaram seu quarto.


Na foto, ela ensina que a vida vai muito além dos limites impostos pelas paredes de um quarto, e garante que quando estiver recuperada a primeira coisa a fazer será um mergulho numa banheira repleta de frutas e pétalas de rosas.


E não é que ela já está ficando com desejos de pop star?!?! 

FORÇA LEUCÓCITO!    

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Excelências à parte 8




Duas histórias que falam de sensibilidade.

1) O proprietário de uma casa recebeu uma intimação da prefeitura, determinando a demolição de seu imóvel - que estava alugado - pois corria risco de desabamento. Então, ele comunicou seu inquilino, que se recusou a sair. 

O proprietário, então, foi à justiça para exigir a desocupação. Temendo o pior, pediu uma liminar. 

O juiz, inexplicavelmente, marcou uma audiência de conciliação (?!?!?!?) para sessenta dias. Mesmo o apelo pessoal do advogado, que insistiu tentando mostrar o óbvio - risco iminente de morte -, foi insuficiente para sensibilizar o magistrado, que se manteve firme como uma porta na tentativa de conciliação (?!?!?!) em sessenta dias (?!?!?!).

Dito e feito. No curso dos sessenta dias, veio um dilúvio e derrubou a casa, matando  esposa e filho do inquilino! 

2) Um marceneiro falece devido a um atropelamento de moto. Seu filho ajuiza uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário-mínimo (?!?!?!), mais danos morais decorrentes do falecimento do pai. 

Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo, o menor pediu a gratuidade de justiça. O juiz, porém, negou-lhe o direito à justiça gratuita, argumentando que ele não apresentara prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por advogado particular(?!?!?!).

O garoto recorreu, por não ter a mínima condição de pagar as despesas de um processo. O recurso foi sorteado e caiu para um Desembargador que, acreditem, era filho de marceneiro. Ele deu a seguinte decisão/aula (sobre a gratuidade de justiça):
"Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele , com o indeferimento da gratuidade de justiça que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do sorteio, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em pau-brasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
O seu pai foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do advogado. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos!
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.

É como marceneiro que voto.
José Luiz Palma Bisson - relator sorteado"
Definitivamente, sensibilidade não se aprende na escola! 

sábado, 30 de julho de 2011

Minha primeira vez


Era muito novo. 

Chego, olho aquela cambada de mulheres, que igualmente me olham. Chamo a atenção no meio daquela mulherada. Acho que pela idade, não é normal um garoto daquele tamanho, naquele local, sei lá... fico tímido pela situação. Mas avanço.

Nas paredes, fotos de mulheres com olhares provocantes. Caras e bocas para instigar o "cliente". No melhor estilo vem-que-tem!  


Até o cheiro era diferente. Confesso que não estava a vontade... sei lá... era muito novo.. todo mundo me olhando... aquele não é um ambiente confortável para um garoto tão novo. Fui na marra. Hoje posso dizer com tranquilidade: "Não queria ir!"


Tinha até uma tabela presa à parede, com o preço para cada serviço oferecido.

A primeira profissional, experiente, se aproxima. Ela vem com cuidado, respeitando minha timidez. "E aí, vai querer o que?"


Bate aquele frio na barriga... olho os preços... lembro que a grana é curta... penso em recuar... duvido se dará certo... enfim respondo: "Passa só uma tesourinha, de leve, em cima, e capricha no penteado". 

Preferi não arriscar no corte, fui no básico mesmo. Afinal, era minha primeira vez em um salão de cabeleireiro. Vejam se gostaram do corte. 




domingo, 24 de julho de 2011

Flashes 19.2

Pois bem. Nosso time de futsal começou a se destacar. Hércules se incomodou com isso e, finalmente, começou a agir. Se incomodou tanto que, às vezes, fazia corpo mole nos jogos. 

Antes, um parênteses sobre o fanfarrão. Eles não era mau caráter. De forma nenhuma. Não nos cobrava nada, aliás, nem ganhava nada. Ele só era enrolado mesmo. Brincava o tempo todo, vivia se iludindo com as coisas, acordava todo dia de bom humor e com a certeza que naquele dia tudo daria certo. Só tinha um problema: não fazia nada para que as coisas funcionassem!

Mas, a partir de então, começou a se mexer. Só que tinha outro problema que nem ele sabia e só descobrimos lá: pela lei, estrangeiro sem passaporte europeu só poderia jogar em times até a segunda divisão. Times da segunda divisão em diante não fazem testes, pois só contratam jogadores de certo renome. O mais próximo que poderiam jogar, seria na quinta divisão (que é time super amador). Eu era o único que tinha passaporte europeu.

Isso deu um baque em todo mundo e estremeceu o relacionamento. Mas continuávamos treinando. O tempo passava... confesso que perdi a noção do tempo... nem me lembro quanto tempo ficamos nesta situação...

Até que apareceu um teste, super-esquisito, no Córdoba, excelente time da segunda divisão. Era longe pra burro, na outra ponta do país. Além de outras esquisitices que não me recordo, tinha que pagar pra poder fazer o teste. É como uma entrevista de emprego paga(?!?!). Eu pergunto: o que é um peido pra quem tá cagado? Fomos!

O deslocamento parecia cena do filme "Pequena Miss Sunshine". Todo mundo amontoado, na dificuldade, mas cheio de esperança. O teste foi, inclusive, divulgado na imprensa. Tinham jogadores de todos os cantos do mundo! Lá, conhecemos Marcio, gente finíssima, outro brasileiro tentando a sorte, que jogava há muitos anos na quarta divisão de Portugal. Lá não tem este problema. Todos jogamos bem. Pessoalmente, fiz um partidaço! Voltamos confiantes.

Foda-se! Depois descobrimos que era a maior enganação, teste fajuto para arrecadar dinheiro. Então o clima começou a pesar... as insatisfações vieram à tona! Rodrigo, o playboy, desde algum tempo já estava muito desanimado, muitos dias nem treinava/jogava. Para azedar ainda mais, todos os times estavam entrando de férias. Que situação...

Não sei como, Roberto (o pastor/sócio/trouxa, digo, investidor), conseguiu pra mim um teste no sub-19 do Rayo Vallecano, time de Madrid. Mais uma vez, me despenquei pra lá (4 horas de viagem) e fiz três testes. Fui aprovado para uma nova temporada de testes com o grupo, que só começaria depois das férias. 

Volto de Madrid com a boa notícia e os amigos vibram. Mas seus olhos denunciavam o desespero. Conto à meus pais a notícia e, no mesmo dia, à noite, embarco de férias pro Brasil, com retorno marcado direto pra Madrid. Foi a última vez que os vi. Depois soube que: 

Missinho e Fabiano largaram Hércules e foram jogar na quarta divisão de Portugal (lá pode) - através de indicação de Marcio, que conhecemos em Córdoba.

Rodrigo abandonou e voltou para o Brasil após uma crise de depressão - se trancou no quarto, apagou a luz  e mal saía para comer. Surtou mesmo! Ficou todo mundo preocupado. Até que o pai mandou ele voltar.

Hércules se separou do Roberto(africano). Parece que a mulher dele (a dentista) deu um basta na brincadeira. A última notícia que tive, Hércules estava em Marrocos, agenciando jogadores. Meu amigo André Torreão foi mais uma vítima de suas lambanças...

Ah, faltou o Gernani, brasileiro que foi achado pelo Hércules. Gernani estava com ele em Marrocos.

Minha vida seguiu. No Rayo Vallecano, depois das férias, ninguém lembrava de mim... mas isso é caso para mais um flashes...


Conforme prometido, segue a foto dos guerreiros. Saudades...    


Eu, o dono da casa que ficamos em Córdoba (sem camisa), Missinho, Fabiano, Marcio, Rodrigo e Hércules (agachado - sempre otimista) 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Flashes 19.1

Chego em território espanhol e, como combinado, vou direto para a casa de Hércules, um carioca que morava há anos na Espanha e já havia feito de tudo por lá. Em sua aventura como representante, tinha se associado a Roberto, um africano, pastor de igreja, casado com a dominicana Denise - bem sucedida dentista, numa cidade vizinha dalí, Cáceres.

Eles não entendiam absolutamente nada de futebol! A parceria deles era a seguinte: Roberto alugou dois apartamentos vizinhos próximos de sua bela casa. Um morava Hércules e sua família: a mãe Marlene - excelente cozinheira -, a mau-humorada esposa, a recém-nascida, e o gente boa do filhinho, de 3 anos, que só falava portunhol (tinha esquecido o português e ainda não estava alfabetizado em espanhol). Não me lembro seus nomes.

O apartamento ao lado era destinado aos jogadores que viessem, enquanto desempregados. Hércules não conhecia nada nem ninguém, sequer falava espanhol direito. O plano era tentar, na cara (de pau) e na coragem, bater à porta dos clubes e chorar uma vaguinha, um teste.

Gernani, um alagoano que foi tentar a sorte na Espanha, já estava há dois anos por lá, totalmente ilegal. Hércules o encontrou pelas ruas, e o adotou para a família. Quem bancava toda a brincadeira, inclusive as despesas pessoais de Hércules, era Denise que, acreditem, era a única que trabalhava, dentre todos os personagens citados.

Claro que eu só soube deste quadro quando cheguei lá. Morávamos num povoado de 1.000 habitantes, quase todos idosos, o que  dava uma sensação de cidade fantasma. Todos se conheciam, éramos famosos lá.

Pois bem, o tempo passa... e nada de testes. E pior, Hércules ainda aliciava mais jogadores para vir, dizendo ter ótimas oportunidades. E foi nesta ilusão que logo depois chegaram Missinho, Fabiano e Rodrigo.

Missinho era atacante, tipo leve e que joga pelas pontas. Tinha seus 29 anos, com passagens por vários times pequenos do Rio, e com algum destaque no Volta Redonda. Me lembrava dele nas figurinhas de álbum. Era um cara muito engraçado e fazia piada de tudo. Cheio de histórias de boleiro. Me divertia muito com ele. Era solteiro e tinha uma filho pequeno no Brasil, morria de saudades dele.

Fabiano era zagueiro, estilo xerifão. Um Fabio Luciano da vida. Com mais de trinta anos, já havia rodado bastante. De Portugal ao sul do país. Era muito religioso e sua noiva, ex-dançarina do Faustão e agora igualmente religiosa, torcia muito por ele. A foto dela andava sempre na carteira. Ele chorava muito por ela, sempre dizia "assim que eu acertar minha vida, casamos e ela vem!"

Rodrigo era o típico garoto mimado. Não queria nada. Fazia tudo de onda. Na verdade, quem queria era seu pai. E ele ia atrás. Jogou, por influência do pai, na base do Vasco e do Flamengo e, segundo dizia "tinha abandonado porque não estava afim". Era zagueiro do tipo namorador, sempre dava mole pro adversário. Tinha uns 25 anos e afirmava que iria levar a sério, porque sabia que não podia perder mais oportunidades.

Já eu, com 18 anos, tinha caído de paraquedas alí... só queria saber de jogar bola. Achava graça de tudo.

Mais uma vez, o tempo passa... e nada de testes. O momento era ruim, pois estava em final de temporada. Os clubes não abrem testes neste período. A esta altura, por razões óbvias, o clima entre os jogadores e Hércules era ruim.

Então, conversamos e decidimos que nós iríamos correr atrás de tudo. Liderados por Fabiano montamos um plano de treinamento diário (manhã e tarde), formamos um time de futebol de salão - Hércules era o goleiro - e começamos a jogar, inicialmente com times do povoado, depois com times dos povoados vizinhos, e logo com outras cidades. 

Não perdíamos nunca, e isso foi o maior cartaz.  

(Em respeito aos amigos disléxicos, continuo numa próxima postagem (19.2), na qual contarei o destino de todos os personagens envolvidos, inclusive o meu... ah, prometo uma foto de todos)    

sábado, 2 de julho de 2011

Excelências à parte 7.1


Recentemente soubemos da prisão, e soltura relâmpago, do ex-jogador Edmundo. O caso é triste sob qualquer ângulo (jurídico e social).
 
Soubemos, também, de outra briga judicial de Ed, com Wanderley Luxemburgo, atual treinador do Flamengo. O que não foi noticiado são os detalhes do processo (nº 0002756-67.2006.8.19.0001, em curso na 25ª vara cível do RJ), que é uma piada pronta, não precisa nem de comentários ou exageros. É um verdadeiro conto de fadas, um mundo paralelo, distante da realidade dos envolvidos,  principalmente lembrando que os personagens ganham por volta de 400/500 mil por mês. Vamos lá.

Em 1996, Wanderley passou dois cheques para Edmundo, R$ 200 mil cada. Em 1999, o animal os depositou, e ambos voltaram sem fundos. Em 2006 foi ajuizada a ação para cobrança dos valores.

Em defesa, Luxa alegou prescrição – o que não foi aceito – e disse já ter efetuado o pagamento. A juíza, Simone Gastesi Chevrand, porém não engoliu a tese de que pagamentos realizados, no período de Dezembro de 1996 a Agosto de 1998, efetuados em favor da empresa A.J. Gomes Automóveis (?!?!?!), tivesse qualquer relação com a dívida cobrada. Disse mais: "Cópias, juntadas pelo réu, da CPI do Futebol (?!?!?!), também não provam nenhum pagamento; o que prova pagamento é recibo" (traduzi a decisão). Condenou, no pagamento de R$ 1.066.100,03, correspondente aos R$ 400.000,00 corrigidos monetariamente e com juros legais (valores de 2006).

Recursos negados. Acabou o processo? Tudo certo? Que nada, agora tem que receber, né? A juíza, conforme a lei, dá 15 dias para pagamento voluntário sob pena de multa de 10%. Vocês pagaram? Nem ele! O animal pede penhora nas contas correntes de Luxa. Perde-se o processo; acha-se o processo, e na primeira tentativa, um irrisório valor é bloqueado. Na segunda, vem a resposta da magistrada: “o documento, obtido junto ao BANCO CENTRAL, informa acerca de inexistência de numerário nas contas bancárias do réu” – isso mesmo, nenhum centavo na conta!

Frustrada, também, a penhora de um automóvel Mercedes Benz E 500, ano 2003, pois já tinha sido vendido.

O animal fica uma fera e pede informações ao Detran e à Receita Federal sobre outros bens. Alguns carros são penhorados, porém nada que chegasse perto do valor do pagamento.

Sem alternativas (lembrando que não pode penhorar salário – mesmo de R$ 500 mil), o autor pede penhora portas a dentro – o oficial de justiça entra na casa do devedor sai penhorando tudo que vê pela frente -, a juíza concorda, com as seguintes ressalvas:

“Desde já autorizado o arrombamento (somente em caso de necessidade). São impenhoráveis, conforme a lei, o imóvel residencial da família e os móveis que o guarnecem. Podem penhorar veículos de transporte, objetos de arte e adornos suntuosos. Televisão não pode ser penhorada, é objeto útil e não adorno suntuoso. O único terminal telefônico é impenhorável. Se houver outros, pode haver penhora. Aparelhos de som, videocasste (?!?!?!), forno de microondas não são objetos suntuosos, portanto, impenhoráveis. Gravador (?!?!?!) não pode, mas bicicleta sim(?!?!?!). Computador pode.” (traduzi da decisão)

Foi esta decisão que a imprensa divulgou recentemente. E quando a imprensa divulgou, mesmo antes de ser oficial, e, portanto, ainda nem tinha sido cumprida, o ex-craque informou à juíza que Luxa, com a destreza que modifica suas equipes, passou a fazer algumas modificações em seu patrimônio – vendendo os bens que seriam passíveis de penhora (provavelmente a bicicleta, já que o gravador não pode).

Com esta informação, no dia 08/06/2011, a juíza determinou que o oficial de justiça fosse com urgência na casa de Luxemburgo, o que já foi feito, mas ainda não foi informado à justiça o resultado da diligência. Ainda tem um recurso em Brasília, interposto por Luxemburgo, daqueles que não são julgados nunca, querendo anular toda a brincadeira.

to be continued... cenas dos próximos capítulos, numa próxima postagem (7.2)...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cosas de la vida 2


Com o falecimento de Elias, o irmão Paulo iniciou o procedimento de inventário. Só se prontificou para acertar toda a papelada, condoído pela penúria financeira em que o irmão vivia e, principalmente, pela solidão que assolara a viúva de 78 anos, Amélia. 

Foram 52 anos de casamento sem se separarem um só dia. Nenhuma viagem, nenhum evento, nenhum imprevisto. Nada separou Amélia e Elias neste período.

O casal cultivava hábitos estranhos. Ele só saía de casa para ir à repartição em que trabalhava. E de lá, voltava correndo para casa. Inclusive se afastou de amigos e familiares. Amélia, por sua vez, nunca trabalhou e só era vista fora de casa ao lado de Elias.

Apesar do bom emprego público do varão, a casa deles estava caindo aos pedaços: azulejos destruídos, canos podres, pintura por fazer, utensílios quebrados... Amélia andava sempre com os cabelos presos e com roupas velhas. O casal andava com uma placa de metal pendurada no pescoço, com seus dados pessoais, "se eu morrer queimado, não passo por indigente", anunciava Elias.

Diziam que eram esquisitos assim por traumas de guerra. Vai saber...

Naturalmente, Paulo foi se aprximando da cunhada. E foi, aos poucos, matando sua curiosidade em relação a louca rotina do casal. Revelações estarrecedoras foram surgindo.

Amélia nunca havia ido ao cabeleireiro ou manicure. Sequer havia penteado os cabelos - Elias era quem fazia tudo isso. Amélia nunca havia comprado roupas ou comido em um restaurante - Elias era o personal stylist e cozinheiro dela. Amélia não tinha nem noção de quanto custavam as coisas (supermercado, luz, água, telefone) - Elias gerenciava as contas, gerenciava tudo! Fora os detalhes não revelados, que não dá nem para imaginar...  

Porém, na medida em que Paulo foi mexendo nos documentos do irmão e da cunhada foi se espantando! Elias tinha mais de 30 contas correntes espalhadas em diferentes bancos. Muitas, com importâncias significativas. A soma disso tudo aproximava-se de um milhão de reais!

Pior, a viúva nem desconfiava disso.

Paulo não sabia nem como revelar, tinha medo de assustá-la. Então, para tentar alegrá-la, fez o obvio: começou a gastar todo o dinheiro dela, com ela! Banho de loja, cabelereiro, manicure, enfermeira, restaurantes, teatros, cinemas... tinha de tudo. Amélia estava tão feliz que chegou a se insinuar para o cunhado, que, claro, saiu de fininho.

Mas, passada a euforia inicial, Amélia dava sinais de profunda tristeza. Não achava graça de nada. Intrigado,  Paulo quis saber o que passava, e teve a resposta na lata:

"Você só me manda para todos estes lugares... Nunca faz nada por mim. Já Elias, penteava meus cabelos, fazia minha unha, me arrumava, me dava de comer... estava sempre querendo saber como eu estava..." e com a voz embargada termina "ele cuidava muito bem de mim, como ninguém nunca será capaz de fazer!"

Como ninguém nunca será capaz de fazer ela tem toda razão... vai entender a linguagem do amor.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Excelências à parte 6


O Tribunal do Rio se deparou com o seguinte caso.

Um casal foi jantar num restaurante de luxo. Então, pararam o carro em frente ao estabelecimento, se depararam com um senhor muito bem vestido, deixaram a chave para que ele estacionasse, e entraram.

Num ambiente refinado, degustaram, como entrada, queijo de cabra caramelizado num leito de tomate, sálvia e alho-poró. Como principal, pediram mexilhões com batatas, à moda belga e coelho ao vinho com purê de baroa.  Uma delícia.

Tudo acompanhado por legítimos Romanée-Conti, safra 2003. De sobremesa: crepe de chocolate com morangos flambados.

Divino! Uma noite perfeita!

Pagam a conta, elogiam o serviço, se despedem do maitre e aguardam pelo carro. Enquanto aguardam, talvez turbinados pelas 6 garrafas de vinho, inciam uma troca de afagos... os cafunés vão esquentando... uma molecagem daqui, uma mordidinha na orelha dali... um olhar mais indecente... era um prenúncio de que a cobra iria fumar!

Mas... cadê o carro??? Já se passaram quinze minutos e nada!

"Cadê o manobristra com nosso carro???" perguntam ao maitre

"Manobrista?!?!?! Senhor, nós nunca trabalhamos com manobrista!" - respondeu o gentil funcionário.

"Então, quem era o sujeito que pegou a chave do meu carro para estacionar???" - questionou o cliente, a esta altura, seguramente, com a borracha amolecida.

"Provavelmente um ladrão, senhor. E, com todo respeito, não acredito que ele tenha ido estacionar seu veículo."

Pois é. Foi exatamente isto! O tal senhor muito bem vestido, do início da história, era um ladrão que teve seu trabalho facilitado pelo descuído do casal.

O casal, se sentindo enganado, foi à justiça, contra o restaurante, pedir indenização.

Resultado: O casal perdeu, pelo fundamento que o restaurante nunca, em momento algum, assumiu a responsabilidade pela guarda do automóvel do casal e seria impossível culpá-lo pela insegurança urbana (pra não dizer desatenção do casal).

Fica o aviso: um bom restaurante certamente não te dará dor de barriga, mas poderá te dar dor de cabeça.  

sábado, 16 de abril de 2011

Excelências à parte 5

(Mais uma vez enrolado no lap top, não reparem a falta de acentos, tils etc)
Minha colega de escritório, Gabriela Marinho, se dirige a uma funcionaria do fórum e pede um determinado processo, quando ouve: "Mas porque você quer o processo???"

"Porque?!?!?! Como assim, porque!?!?!?", estranhou. (importante explicar: o advogado tem livre acesso a qualquer processo, desde que não esteja em segredo de justiça - o que não era o caso)

"Agora, Dra., o juiz esta' exigindo um motivo para tirar o processo da vara..." - surtou a funcionaria. 

"Motivo?!?!? Desde quando precisa de motivo... a lei me da' este direito..." - disse a mãe da Catarina, munida de um salto tamanho GG para compensar a ausência de centímetros.

"Ou me da' um motivo ou não leva!" - sentenciou, com a boa vontade habitual.

"Ok. O motivo e'e'e'e'e'... o motivo e' porque eu quero. Pronto. Vou levar porque eu quero."

"Bom... querer já e' um motivo. Pode levar!" - e entregou o bendito processo.

E levou mesmo!

Motivo. A funcionaria publica, assim como o Tim Maia, só quer um motivo. Seja ele qual for...

Falando em Tim Maia e motivos, outro dia foi noticiado que o Tribunal do RJ autorizou a exumação do corpo do cantor, para a realização de um exame de DNA, num processo de investigação de paternidade. O curioso foi o teor da decisão:  

"A alma e o espírito do falecido não serão incomodados e certamente estarão em estágio de 'sossego'. Tem o autor 'motivos' para a exumação do corpo do artista", decidiu o magistrado.

Sou sempre favorável ao bom humor. Mas, convenhamos, tem momentos que não cabe piada...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pobre mortal...



Estava saindo de um hotel e, como todo mortal, aguardava minha vez na fila para efetuar o pagamento das diárias e consumos realizados durante a estadia.

Até que um sem-mãe passa na frente de todo mundo, se aproxima do balcão, e ordena que antecipem sua conta. Mesmo alertado pelo educado funcionário, o animal insiste: "Enfrentar esta fila... adianta logo a minha conta!!"

"Mas senhor, a fila não está tão grande... aguarde só um pouco... ainda temos solicitar ao serviço de quarto que verifique o frigobar" - tenta contornar o atendente.

"Frigobar?!?!?! pode colocar cinco frigobares completos que eu pago agora!" - latiu nosso imbecil protagonista.

"Mas senhor, nã..." e antes que o empregado terminasse a frase, o filho-duma-égua vira as costas e vai embora, todo enfezadinho...

É  como dizia Pedro de Lara: TEM GENTE QUE É TÃO POBRE, MAS TÃO POBRE, QUE SÓ TEM DINHEIRO!


terça-feira, 29 de março de 2011

Cosas de la vida 1


Tem título de novela mexicana. Mas são histórias reais que me foram contadas. Afinal, toda história de vida tem traços de novela mexicana. A vida imita a arte, diz o bordão da Rede Globo.

Que história passou o garçom que te serve, a empregada  que trabalha na casa do seu vizinho, a avó do seu amigo, o menino que vende bala no sinal, o porteiro do seu edifício, o pedreiro que reforma sua casa???

Esta é a nova seção que se inicia.

"Tudo bem?"
"Tô melhorando..." - responde o pai.

Foi com este frio cumprimento que Agostina reviu seu pai, Sr. Tenório, depois de 55 anos.

Já não tinha mais notícias dele. Pensava que havia morrido. Mas não. Ele estava vivo, no interior do Estado, aos 95 anos, muito doente, mas vivo.

Agostina recebeu notícias do paradeiro de seu pai e "te levo lá", disse Sergio, filho da sua patroa. Ele tinha imensa curiosidade sobre o passado de sua querida caseira (sítio da família), que já estava com a família há 55 anos, servindo, em especial, à sua mãe, Dona Rosa.

A chegada de Agostina na casa de Dona Rosa nunca tinha sido bem explicada.

Depois da seca saudação, ficaram lado a lado, e não se falaram mais. Sequer se olharam. Vinte minutos e nada! Agostina é uma mulher muito boa, porém bruta, forte, dessas que parecem não ter sentimentos.

Então, na brincadeira, Sérgio diz pra Agostina: "É bom falar alguma coisa, senão te deixo aí, hein?!?!"

Agostina, então, explode e começa a chorar desenfreadamente... não dizia nada, apenas chorava. Seu pai permanecia imóvel. Sérgio, extremamente preocupado, desculpava-se constantemente.

Ao se recuperar, ela pede: "O sr. deixa eu levar ele?" Diante da situação, Sérgio não consegue negar.

No viagem de volta, no carro,  silêncio durante todas as três horas de trajeto.

Tenório era amigo de infância de Dona Rosa, apesar da grande diferença social. Ela, muito bondosa, permitiu que ele morasse com na casa de Agostina, que ficava nos fundos do sítio.

Altamente curioso, Sergio rondava Agostina, com muito cuidado, na esperança de entender toda aquela história. Até que saiu:

"Meu pai saiu para passear comigo e me trouxe na casa de sua mãe. Eu tinha doze anos. Minha mãe faleceu eu era muito nova.  Ele disse que ia comprar algo na rua, e nunca mais voltou. Só o revi naquele dia que o senhor me levou. Meu pai era um homem muito bonito. Admirava muito ele."

"E você não tem raiva dele???" perguntou Sergio.

"Que nada. Ele fez aquilo porque sabia que Dona Rosa ia cuidar de mim melhor que ele. Hoje, que eu posso, cuido dele. Estou fazendo o mesmo que ele, dando o melhor que posso. Pra mim ele voltou como se estivéssemos naquele dia, como se nada tivesse acontecido. Só não quero ser abandonada de novo. Nem de brincadeira. Isso dói!" 

E saiu, para dar os remédios de Tenório, como se nada tivesse acontecido. Hoje vivem juntos, na casa dos fundos, como se nada tivesse acontecido. Sequer tocam no assunto, está tudo bem resolvido, como se nada tivesse acontecido...   

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Paladar refinado!

Renata é uma pessoa de paladar altamente refinado.

É comum vê-la, na hora do almoço, degustando jujuba, biscoito presuntinho, brigadeiro, pipoca, fanta uva e outras iguarias...   

Um de seus restaurantes favoritos são aquelas barraquinhas de doces, que ficam nos pontos de ônibus. Já conhece todos os fiscais de ônibus, em especial os que cumulam sua função, com o ofício de vender doces, no ponto que fiscalizam.

Geralmente, eles cobrem o tabuleiro com aquela lona, enquanto trabalham. E, entre um um ônibus e outro, vendem suas guloseimas. Tenho a impressão que o diferencial destes estabelecimentos, é a mistura provocada entre o calor de 40 graus do Rio de Janeiro e a lona (de caminhão) que, de maneira higiênica, cobre o tabuleiro 

Pois é lá, meus amigos. É lá que minha senhora faz suas sagradas refeições.

Porém, no último final de semana ela se superou. Vamos ao cardápio, degustado ao longo dos dias, na ordem em que ocorreram:
  
Sábado: 01 kiwi; 01 fatia de mamão; 01 prato de macarrão com queijo ralado; 01 chocolate Alpino;  01 punhado de castanha de caju; 02 balas de café, 02 polenguinhos, 03 fatias de manga; 01 copo de suco Ades; 02 fatias de melão; 01 copo de nescau; 01 caju; 03 biscoitos de gergelim com requeijão, 01 cacho de uva; 01 chocolate Alpino; 01 pão de forma com requeijão... e, para fechar com chave de ouro: 01 ovo cozido!!

Domingo: soro!

Ocorre que no domingo, inexplicavelmente, a fofa passou mal e foi parar na emergência do hospital!! Até agora nenhum médico descobriu o motivo...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Flashes 18


Favela do Jacarezinho. Campeonato entre bocas de fumos. Cada chefe da boca montava seu time. E, para ostentar, os times desfilavam uniformes lindos. Tinha um que usava o conjunto completo do atlético mineiro (camisa, short e meião), outro do flu, botafogo, etc.

O meu, era o time do "campo do abóbora" (não me perguntem o porquê do nome).  Nosso uniforme era produzido só para o campeonato. Advinhem a cor? Preto e branco (não me perguntem o porquê).

Eu, com aproximadamente 16 anos, saí de casa por volta das 19 horas. Peguei o metrô e saltei na estação Maria da Graça. De lá até o campo, caminhei, talvez uns 20 minutos, entre ruelas e bocas de fumo. Tudo era vendido e consumido na frente de todos, sem constrangimento. Local escuro. Eu, feliz da vida - e sem noção de perigo -, fui me informando, com traficantes e moradores, onde era o campo. Fui chamado pelos meus amigos do Olaria, que moravam no Jacarezinho, e queriam que eu reforçasse o time do abóbora.

Chego e a partida já havia começado. Tomo um esporro,  troco de roupa correndo, e entro no campo. Pra compensar o atraso, e tentar entrar logo no ritmo do jogo - que pegava fogo -, iniciei marcando muito firme, reclamando com o juiz e fazendo outras fanfarronices. Afinal, era mata-mata.

Até que, num determinado momento: faço uma falta forte, sequer peço desculpas, e ainda reclamo com o juiz. O árbitro, ao invés de me advertir com cartão, fez algo muito mais eficaz. Colocou a mão no meu ombro e disse, em tom assustadoramente calmo: "Filho, acho bom você chegar devagar. Você não está em casa, não. Abre o olho!" 

Foi quando olhei ao redor e vi que realmente não estava em casa. O campo estava lotado de gente - com fuzil, pó, pistola etc, e me olhando com caras nada amigáveis.  Entendi o recado!  Murchei totalmente, passei a jogar como uma lady. Perdemos o jogo. Não quiz nem ficar pra churrascada (e outras coisas) grátis que rolava depois das partidas. 

Fui embora da favela. Foi lá que aprendi a chegar devagar, pois jacaré com abóbora dá caganeira!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

É final de copa do mundo



É o Brasil em campo. É jogo de vida ou morte. Todos grudados na televisão.

A mídia dá cobertura total. São comentaristas/entendidos de todas as áreas discursando sobre cada detalhe. Agimos como uma criança: não nos cansamos de rever as mesmas cenas como se fosse a primeira vez!

Nosso patriotismo fica aflorado! Estamos no mesmo time do vizinho, do porteiro, do chefe, do moto-boy.  Saímos mais cedo do trabalho. Nos tornamos até mais gentis.

Vibramos muito. Lamentamos a oportunidade perdida. Quando eles estão com a defesa desarrumada e dão mole, jogamos junto - Mata! Acaba logo com isso!  Pô, não pode perder uma chance dessas... até minha avó faria!

Somos cento e noventa milhões de técnicos e comentaristas no assunto. Temos aquela soberba de brasileiro: se deixar chegar fica ruim pra eles. E fica mesmo.

Sou favorável, em caso de vitória, a dar um bicho de R$ 200.000,00 para cada um, afinal, é a nosssa imagem pro mundo. É uma conquista que não tem preço!

A missão é dar um pouco de alegria à um povo tão sofrido.

É o coração na ponta do fuzil! Pedala BOPE!

Só esperamos que no final tudo não volte a ser como era antes... pois não vai ter a menor graça