quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Equação




Família maravilhosa + trabalho maravilhoso + amigos maravilhosos = vida maravilhosa/felicidade! 

E quando isso está exposto no facebook, então, batata!

Precisamos nos mostrar e afirmar felizes, pois em caso de baixa, o amigo está fundamentado para nos lembrar.
Desculpe informar, mas essa equação está cientificamente provada como um engano.

As necessidades reais vão muito além disso. Nossa alma grita! Não por acaso tantas pessoas preenchem esses requisitos e vivem melancólicas, vazias, perdidas, baixa autoestima, sem falar nos constantes casos de suicídio – direto ou indireto.

Nesses momentos de lucidez, quando estamos em baixa, relemos a equação buscando explicação, e ficamos ainda mais confusos.

Como se fosse um manual de conduta: “família + amigos + trabalho = felicidade e pronto! O resto é frescura! Coisa da minha cabeça.” Ledo engano.

Parece que tem um espaço dentro de nós, um lugarzinho lá no fundo, que pede muito mais que isso. Dispensa materialidades, publicidades, etc.

Nossa alma clama por uma conversa, quer nos mostrar os pontos faltantes em nossas individuais equações. Buscamos distrações para não ouvir. Ouvir requer imersão, silêncio.

Existe um ensinamento que bem retrata isso: A água em movimento reflete nossa imagem distorcida; um espelho de água mostra nossa imagem fiel.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Pais e Filhos


Pai: “Tenha muito cuidado por onde andas”.
Filho: “Tenha cuidado você. Lembre que sigo teus passos...” (diálogo extraído da internet)

Concordo plenamente! 

Mais forte do que o exemplo e do que as palavras, o melhor ensinamento é aquele que vem impregnado. Como aquele pássaro condutor de pólen.

Tenho a impressão que essa sim é a comunicação universal.

Não precisa explicar para que seu cachorro perceba sua tristeza. Ele capta a informação e se aproxima.

Quantas vezes ouvimos de profissionais: “Primeiro tem que tratar os pais, depois a criança!”. E muitas vezes a criança não viu nada!

“Aonde esse menino aprendeu isso?” Provavelmente no mesmo local que você!

Só que a recíproca é verdadeira. Os pais também sentem o reflexo do comportamento dos filhos.

Estamos todos conectados. Cuidar do outro é cuidar de você! Um sente a dor, a paz e o aprendizado do outro... caminhamos juntos, por estradas parecidas, comportamentos semelhantes...

Como bem disse Renato Russo:
Você me diz que seus pais não entendem / Mas você não entende seus pais.
Você culpa seus pais por tudo / Isso é um absurdo
São crianças como você / O que você vai ser / Quando você crescer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Intenção


Uma pena que nossos códigos civis e penais ainda sejam tão limitados e não alcancem o real problema. Seria muito bom que nossas forças policiais pudessem coibir a arma mais destrutiva de todas. A humanidade agradeceria se tivéssemos uma máquina parecida com detector de metais para impedir a má utilização. Certo mesmo é que até o ascensorista dissesse: "assim você não entra aqui!" 

Menos mal que as leis universais não falham, e não se esqueceram de fazer-nos vítimas de nossas próprias intenções. Não interessa o que você quer, e sim sua real intenção com o que você quer.

Parece que o universo ouve mais profundo e atende nossa real intenção. Vejamos.

Fred, atacante da seleção brasileira, desejou muito ganhar a copa do mundo. Talvez sua real intenção fosse ser ainda mais famoso. E conseguiu! A seleção brasileira, objetivando vencer o mundial em casa, quiçá tivesse a real intenção de entrar pra história. E conseguiu!

De repente, melhor do que lutar tanto por algo, é saber pra que lutar por isso... qual benefício? O que fazer com isso?

Quantas vezes nos desgastamos, magoamos pessoas, desfazemos amizades e brigamos por uma belíssima caixa de fezes? O difícil depois é desapegar dela, por ser bonita aos olhos dos que não conhecem seu conteúdo e utilidade.

Será que o detector de intenções apita com você?

sábado, 2 de agosto de 2014

Mala


Tem gente que para encarar a companhia só mesmo embriagado.

Se der o azar de parar só você e ele num metrô, por exemplo, tenha sempre um celular a tiracolo para se distrair. Se cruzar na rua entre no primeiro bar e peça uma. 

Esse tipo de gente persegue...

Para evitar esse encontro existem várias técnicas amplamente utilizadas e aprovadas: trabalhar cada vez mais, ocupar-se com problemas inventados, reclamar de qualquer situação, fazer compras, comer mais, apontar o defeito dos outros, encher a agenda de compromissos sociais, evitar o silêncio interior...

Existe uma técnica comum a alguns grupos (budismo, conscieciologia) que faz o movimento oposto! Propõe uma lua de mel com o sem alça por dez dias.

Só você e ele sem qualquer defesa. Uma desintoxicação. Contam os corajosos que os primeiros dias são insuportáveis, em virtude da abstinência e da ansiedade. 
Encarar alguém que não conhecemos é difícil. Medo do novo!

Passados os primeiros dias, saem as ideias dos outros, saem as criticas aos outros. Passam a vir as nossas ideias e autocríticas, que verdadeiramente desconhecemos.

Dizem que o conteúdo da mala é apaixonante! Ninguém escapa de uma boa conversa.

E aí, vai se encarar?

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Amigo

 
Essa semana comemoramos o dia do amigo. Momento bom para pensar que tipo de amigo somos. Amizade num sentido amplo, de relacionamento.
A conscienciologia traz duas figuras exemplificativas de amigo: o cego e o amparador.
Cego é aquele que faz tudo por você. Te livra das furadas, não importa as consequências. Costuma ficar bem na fita.
Ao lado do cego você se ilude. Crente que está abafando, mas com alface no dente.
O amparador está mais preocupado com seu amadurecimento. É capaz de te fazer passar vergonha, se for importante para o aprendizado.
Me lembro de uma menina acostumada a se safar quando pega com drogas. Até que foi parada numa blitz. Seus pais se recusaram a subornar. Foi processada e condenada a prestar serviços numa comunidade carente. Vergonha geral!
Na pena, se apaixonou pelo serviço social e não parou mais. Se encontrou! “Imagina se eu tivesse subornado? Nem sei o que seria de mim... agradeço aos meus pais!” reconheceu.
E você, meu amigo, qual papel costuma desempenhar? Avisa ou não da alface no dente?

sábado, 19 de julho de 2014

Flashes 21


De férias no flamengo (ainda não tinha contrato) fui chamado para fazer parte da equipe de juniores do Joinville, que excursionaria à Itália objetivando vender jogadores. Aos 18 anos, para futebol, é uma idade tensa, de definição. Oportunidades cada vez mais raras!

O clube tinha cedido a categoria para um grupo de empresários escrotar, digo, explorar.

Nós, jogadores, vivíamos numa grande casa, que abrigava gente de todo Brasil! Me lembro que o café da manhã era pão, manteiga, mel, leite e café. E vamos pro treino!

No fim das contas se mostrou mais uma furada! Foram apenas dois ou três dias de estada, até os gênios do planejamento perceberem que não dava tempo para embarcar com o grupo, que estava fechado, inscrito, com visto no passaporte, etc.

Enfim, ao final do treino da tarde estava na calçada em frente a casa pensando na vida (sempre empolgado!) quando passa um carro bem devagar olhando pra dentro do imóvel... e me pergunta. "Fulano está aí?"     

"Não conheço" - respondo.

Ele vai; depois volta e pergunta por outro jogador - no que obtém a mesma resposta. Fiquei a meia distância observando um movimento intenso de carros... ao mesmo tempo uma euforia dentro da concentração. Muito jogador se arrumando, saindo, burburinho...

Estranhando aquele cenário pedi explicação a um colega. A resposta veio com o tom e a serenidade de uma mãe que explica ao filho porque o céu é azul.

- Eles vêm para buscar a rapaziada para dar uma "volta". Jantar, passear no shopping... no final dão um dinheirinho, um tênis novo e fica tudo certo!

O mais trágico era a normalidade de como tudo ocorria... fiquei constrangido de achar estranho! Apenas passei a olhar esquisito pra quem tinha tênis novo...

Como diria Januário de Oliveira (antigo narrador de futebol): Sinistro, muito sinistro! 

terça-feira, 15 de julho de 2014

Obrigado, Luiz Felipe



Vexame, humilhação, vergonha! Passado o susto vêm as análises da derrota brasileira: apostou em um esquema ultrapassado; demorou mudar; convocou quem não confiava; não tinha plano B, etc.

Felipão demonstrou humanidade.

Sem justificar, mas quem de nós nunca se baseou em acertos do passado para errar no presente? Quantas vezes insistimos com pessoas que, no fundo de nossa essência, não confiamos, mas mantemos por não querer acreditar no óbvio? Por medo das mudanças!

Levante a mão aquele que tem um plano B para modificar sua vida agora, mesmo sabendo que ela não está no melhor dos rumos!

Faz o quatro quem nunca fracassou. Quem nunca sentiu vergonha por ter errado. Perdido aquela chance de ouro. Decepcionado quem não merecia!

Quem nunca teve vontade de sumir por ter sido rejeitado?!?! Quem nunca ficou atônito, sem reação, vendo todos os seus conceitos, supostamente perfeitos, desmoronarem?!?!

Quem nunca foi de salvador da pátria a cocô-do-cavalo-do-bandido num piscar de olhos, que morda as orelhas!

Ou seja, Quem nunca tomou de sete a um em casa que atire a primeira pedra!

Felipão foi mais um Luis. Foi mais um ser humano.

Obrigado, Felipão, por nos lembrar a essência incerta de todos nós.

Vamos deixar de hexa-geros!

sábado, 12 de julho de 2014

Convidados 11

 
É a segunda vez (primeira foi em "Excelências à parte 5") que ela concede a honra de participar.  
 
Gabriela Marinho foi colega de escritório em 2011. Juntos fundamos o fã clube do Alexandre Câmara rsrsrs e colecionamos ótimas estórias. 
 
A mãe da Catarina e esposa do Cacá hoje arrebenta em seu escritório. Além da capacidade técnica, conjuga muito bem os estilos "ninguém-escapa-de-uma-boa-conversa" com "tiro-porrada-e-bomba!". Não a toa, já saiu ovacionada de assembleias.
 
A história é impressionante! Manda aí, Gabi.   
 
 
A JORNADA
 
CERTA VEZ, AINDA ESTAGIÁRIA DE DIREITO, FUI DESIGNADA ATÉ O FÓRUM REGIONAL DE MANGARATIBA PARA UM IMPORTANTE TRABALHO. ESTAVA NO 1º PERÍODO. PEGUEI UM TAXI EM DIREÇÃO À RODOVIÁRIA. COMECEI A PERCEBER QUE O TAXISTA CHORAVA COPIOSAMENTE, TENTANDO NÃO ME FAZER NOTAR A TAMANHA ANGÚSTIA QUE O ASSOLAVA.
 
- MOÇO, O SENHOR PODE ME DEIXAR AQUI MESMO. NÃO TEM PROBLEMA, PEGO OUTRO TÁXI. VEJO QUE O SENHOR NÃO ESTÁ BEM. 
 
E ELE PRONTAMENTE RESPONDEU:
 
- A SENHORITA VAI VIAJAR PRA AONDE? TE LEVO E TRAGO PELA METADE DO PREÇO DE SUA PASSAGEM, INDEPENDENTEMENTE DE SEU DESTINO. POR FAVOR NÃO ME ABONDONE TAMBÉM.
 
NA HORA PENSEI: "CRUZES, DEUS ME LIVRE IR A QUALQUER LUGAR COM ESSE HOMEM NESTA CONDIÇÃO. IMAGINA SE ELE É UM PSICOPATA E TENTA ALGUMA MALDADE COMIGO." MAS NO MESMO INSTANTE EM QUE NOSSOS OLHARES SE CRUZARAM ATRAVÉS DO RETROVISOR TIVE A CERTEZA DE QUE DEUS HAVIA ME COLOCADO NAQUELE ASSENTO POR UM PROPÓSITO QUE SEQUER MINHA MATURIDADE, AOS 18 ANOS IDADE, ENTENDERIA.
 
TOPEI E DISSE: VAMOS JUNTOS! ATÉ LÁ SEI QUE PODEREI AJUDÁ-LO EM SUA ANGÚSTIA E TENHO CERTEZA QUE NA VOLTA O SENHOR ESTARÁ BEM MELHOR, E EU SÃ E SALVA.
 
COM UM ÚNICO SORRISO DE CANTO DE BOCA, ELE ASSENTIU.
 
PARECENDO UMA LOUCURA, FUI DO RIO ATÉ MEU DESTINO OUVINDO SEU PROBLEMA:
 
- SABE MOÇA, TRABALHO NA PRAÇA HÁ 25 ANOS E PELO MESMO PERÍODO SOU CASADO COM A MULHER DA MINHA VIDA. NUNCA HESITEI EM AJUDAR NA CRIAÇÃO DAS CRIANÇAS, SER BOM MARIDO, E ATÉ NA CAMA NUNCA A DEIXEI NA MÃO. E OLHA, QUE JÁ TENHO MAIS DE 60 ANOS, HEIN?! POIS BEM, HOJE DE MANHA ME DESPEDI AVISANDO QUE SÓ VOLTARIA NO INICIO DA NOITE COMO FAÇO TODOS OS DIAS; MAS COM VONTADEDE SURPREENDE-LA, RETORNEI O QUARTEIRÃO E PONDEREI QUE SERIA ÓTIMO PASSAR O DIA TODO JUNTO A ELA. 
 
 (E AGORA ELE JÁ EM PRANTOS) SOLTOU O VERBO: 
 
- CHEGUEI “EM” CASA E VI TUDO APAGADO, SÓ OUVIA O APITO DA PANELA DE PRESSÃO DO FEIJÃO QUE COZINHAVA. QUANDO ENTREI NO QUARTO, LÁ ESTAVA ELA: FAZENDO AMOR COM UM DOS MEUS MELHORES AMIGOS. REALIZANDO COM ELE O QUE A MIM SEMPRE SE NEGOU A FAZER. MAS A SENHORA ACHA QUE FUI BOBO? NÃO DEIXEI QUE ME VISSEM, ENTREI NO CARRO E PENSEI EM BATER NO PRIMEIRO POSTE COM TODA A FORÇA. ASSIM ELA MORRERIA DE REMORÇO EM IMAGINAR QUE ENQUANTO EU SAIA PARA TRABALHAR, ELA ESTAVA ME TRAINDO.
MAS AÍ, A SENHORITA FEZ SINAL E POR ISSO RESOLVI QUE FAZENDO UMA VIAGEM COM UMA JOVEM CHEIA DE MOCIDADE ISSO TALVEZ ME TROUXESSE ALGUMAS HORAS DE REFLEXÃO E QUEM SABE NEM MATARIA MAIS, AFINAL SE EU REALMENTE BATESSE COM O CARRO COMO GOSTARIA, PROVOCANDO MINHA MORTE, PROVOCARIA A SUA TAMBÉM!
 
GELEIIIIIIIII!!!!!
 
CHEGANDO AO NOSSO DESTINO, REALIZEI MEU TRABALHO IMAGINANDO QUE DEPOIS QUE DESEMBARCASSE DO VEÍCULO ELE IRIA EMBORA NO INTUITO DE CUMPRIR A MISSÃO TRADUZIDA NA MAIS TEMEROSA DAS OUSADIAS: O SUICÍDIO! E EU COMO FICARIA SE SOUBESSE DISSO? TALVEZ JAMAIS ENTRASSE EM UM TÁXI NOVAMENTE.
 
QUANDO JÁ NA RUA E O VI PARADO DENTRO DO CARRO, MEU CORAÇÃO TRANSBORDOU DE PAZ E IMAGINEI QUE ALÉM DO MEU TRABALHO, ESTAVA OPERANDO A AJUDA DE UM DESESPERADO QUE SE DEBRUÇOU NA JOVIALIADADE DE UMA RELES ESTAGIÁRIA QUE TALVEZ TODO O MEU CONCEITO DE VIDA MUDARIA.
 
JÁ NA VOLTA, ELE ESTAVA BEM MELHOR E ME AGRADECENDO POR TÊ-LO OUVIDO POR MAIS DE 3 HORAS SEM PARAR, E QUANDO CHEGAMOS ME PROMETEU: HOJE SEREI OUTRO HOMEM, PEDIREI O DIVÓRCIO E VIVEREI A ATENDER MEU TEMPO A ESCUTAR AS ANGÚSTIAS ALHEIAS ASSIM COMO VOCÊ FEZ.
 
NÃO ME COBROU A CORRIDA, E AINDA JUROU QUE JAMAIS SOFRERIA POR ALGUÉM QUE NÃO O MERECIA, QUE NÃO O VALORIZOU.
 
E EU, COM APENAS 18 ANOS DE IDADE, PERCEBI: CONFIAR EM QUE NUNCA SE VIU PODE PARECER PERIGOSO, MAS CONFIAR EM QUE SE ACHA QUE SE CONHECE PODE SER AINDA MAIS DESTRUITIVO.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ferrari ou Charrete?

Contam que a travessia de uma cidade para outra levava 40 minutos de charrete. Um senhor, querendo encurtar o tempo, alugou uma Ferrari. Mas foi avisado pelo capiau “Vai levar os mesmos 40 minutos!”.

Impossível, pensou. Como uma Ferrari pode levar o mesmo tempo que uma charrete? Acelerou bastante, estava bem próximo quando não tinham passados sequer dez minutos. “Sabia que era mais rápido!” – comemorou.

Passados dois minutos e o carro quebra num buraco! Após o conserto, retorna à pista, acelera, e pow! – fura o pneu numa garrafa. Passa perigo à beira da estrada, ajeita tudo, volta a correr e bate numa árvore! Não reparou a curva! Mais um ajuste.
Já ressabiado, o motorista resolve ir devagar prestando atenção na estrada, desviando dos perigos, observando o veículo que conduz. Até que chega ao seu destino 40 minutos após a saída!
Encontra o capiau chegando de charrete e ouve:
-Falei? O tempo de duração de nossa viagem é o mesmo. Se acelerar demais vai quebrar, parar, se irritar, se expor a perigos, errar o caminho... seguir o fluxo e não chegar aonde deseja.
A garrafa continha um aviso, a árvore te enviava oxigênio, a curva te desviava dos perigos. Você não entendeu nada. E pior, não admirou a beleza da estrada, não auxiliou quem realmente precisava. Criou um ciclo vicioso de correr, se irritar e quebrar.

O importante é o percurso, e não o destino. Até porque o destino é consequência do percurso. 


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Além da cortina



Segundo a Kabbalah, o mundo físico só nos permite enxergar 10% da realidade que nos rodeia.

Ou seja, existe 90% de coisas que não enxergamos. Como se existissem cortinas limitando nossa visão. Achamos que a cortina é toda a realidade. Por isso surgem os questionamentos: “Minha crise não tem solução – Não mereço isso – Fulano é um caso perdido“

Além da cortina, entendemos nossos problemas como verdadeiras oportunidades de evolução, abandonarmos ideias, preconceitos e comportamentos limitados.

Somos a criança que chora por ter que ir à escola. O Pai não vai nos poupar do ensino, gostemos ou não. Convenhamos, criança mimada é insuportável!

O tímido colocado em situação de exposição, reclama, mas não percebe o bem que causará o enfrentamento. O incômodo (trabalho, relacionamento, pessoal) provavelmente é a cortina que está curta demais. Entendamos e ampliemos!

Quantas coisas que julgávamos ruins acabaram proporcionando engrandecimento, liberdade?

Pensar que a vida iniciou e se encerra nesta curta passagem terrestre faz parte dessa visão limitada dos dez por cento.

Ninguém está jogado ao acaso. Se refletirmos e trabalharmos com desprendimento vamos entender que as barreiras tem função de aprendizado e a angústia vai acabar logo ali depois da cortina.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Amor que nos move



Deus quando te olha Ele não vê o que você se tornou; Ele vê exatamente quem você é, porque foi Ele que te fez.

E nesta formação colocou a semente do amor dentro de cada um de nós, que necessita ser regada para que possa frutificar e transformar nossas vidas.

Nada do que te fazem, ou que você mesmo faça, pode alterar tua identidade celestial, tua alma, teu espírito, tua capacidade de amar. E os grandes mestres sabem disso.

Por isso Mandela pensava "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. O ódio se aprende, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar".

Por isso Cristo dizia "Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem" (Mt 5:43).


Por isso Martin Luther King dizia "Aos nossos mais implacáveis adversários, diremos: ‘corresponderemos as vossa capacidade de nos fazer sofrer com a nossa capacidade de suportar sofrimento e amar. Enfrentaremos vossa força física com a força do nosso espírito. Podeis prender-nos e os amaremos ainda! O que não podemos, em boa consciência, é acatar leis injustas, pois tal como temos a obrigação moral de cooperar com o bem, também temos a de não cooperar com o mal. Tenham a certeza que venceremos pela nossa capacidade de amar. De tanto apelarmos para a vossa consciência e para o vosso coração, quando alcançarmos a vitória, ela não será só nossa será de todos! ’”.

Alimento



O movimento humano de evolução, de salvação, de auto conhecimento, é um só. E pode se dar de várias formas, com diversos nomes: judaísmo, budismo, cristianismo, conscieciologia, kabbalah, etc.

Vale lembrar que Buda não era budista, Cristo não era cristão, Maomé não era muçulmano. Eles ensinavam o amor incondicional! O amor era a receita.

A distinção é apenas humana. Não tem relevância em termos de evolução.

Um come carne, outro massa, outro salada... tudo alimenta. Depende do paladar, do nível de fome, e refinamento de cada um.

Pensar que chocolate é bom pra todos, é desconhecer que seu irmão sofre de diabetes, e essa comida lhe fará mal.

Somos livres, embora nem sempre exerçamos essa liberdade! Temos o direito de escolher o que preferimos. Do mesmo modo, escolher um caminho tradicional, ou traçar o seu próprio, é um direito - e não uma obrigação.

Lembro de um rapaz que tornou-se deficiente físico após um acidente e descobriu na canoagem ensinamentos que proporcionaram paz e luz para suas angústias. Se descobriu!

O ensinamento está em todo lugar. Deus aproveita qualquer situação para nos fazer refletir. Ele fala a língua que você quiser! Afinal, a evolução é inclusiva. O amor não tem fronteiras!

Quem sou eu?



Recebemos muitas influências: família (genética), ambiente, experiências, pessoas, cultura, etc. E, principalmente, de nossa alma.


Quantas atitudes e sentimentos tenho copiando meus pais? Quantas vezes me irrito por estar num ambiente agitado? Estou triste porque o ambiente é negativo?

Quantas pessoas me tiram a tranquilidade? Porque como primeiro o salgado depois o doce? Porque reajo quando provocado? Tenho vontade, me sinto obrigado, ou nem percebo que reajo? A reação me fez bem?

O que faço apenas para mostrar ao próximo? O que está em mim que não me pertence? O que gosto, quem sou eu? Esse medo é meu, ou dos meus pais? Dos mais de 7 bilhões de seres humanos, somos únicos. Será? Sou quem gostaria de ser? Porque?

Quanto mais afastados de nossa essência, menos seguimos nosso rumo e mais o dos outros – que não nos serve! Vestimos roupas desajustadas.

Nossa alma em contato com Deus sopra em nossos corações para que abandonemos o fardo pesado das influências negativas. Tomemos controle de nossas vidas. Ninguém está aqui por acaso.

Conectemos com nossa origem divina, afinal, qual pai deixa de orientar seu filho?

Autoconhecimento


Nossa passagem na terra é uma escola, cuja principal matéria é o autoconhecimento. Conhece-te a ti mesmo!


Aquele que pedir esclarecimento a Deus de suas boas e más atitudes, palavras e pensamentos adquirirá sabedoria para se aperfeiçoar.

Façamos um balanço moral, como um comerciante de suas perdas e lucros, e certamente um lhe resultará mais que outro.

Cuidado com a sabotagem, pois o pão duro se crê econômico; o orgulhoso pensa defender sua dignidade; o vitimista enxerga a culpa no outro!

Cuidado com os sinais, pois a perseguição e o ódio podem ser um pedido de ajuda; a raiva um amor mal compreendido; a agressividade uma profunda carência; um relacionamento quiçá uma fuga.

Na dúvida, imaginemos que a ação que a praticar, será praticada contra nós. Se estamos de acordo, façamos; caso contrário, não! Porque Deus não tem duas medidas para a justiça.

Ouçamos nossos inimigos, pois não têm nenhum interesse em dissimular a verdade. Muitas vezes são colocados para enxergarmos nossas fraquezas, como nenhum amigo faria. Agradeçamos a eles por isso.

A vida que segue após essa nada mais é do que uma continuidade, portanto, comecemos agora mesmo com as modificações, para que esta noite contabilizemos mais lucros que prejuízos!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Cosas de la vida 7.1



O resultado positivo do teste de gravidez não foi uma boa notícia para Fábio, o pai. Afinal, ele já não estava mais namorando com Gabriela, tinha apenas 22 anos, sequer havia concluído a faculdade de direito. Não estava no script.

Fabio tinha tudo planejado pelos pais: curtir, se formar, passar num bom concurso público.

Gabriela, a mãe, 36 anos, vivia da ajuda da vó e não aceitava o fim do relacionamento. Tinha até uma passagem mal explicada pela polícia. 

Os pais se prontificaram a pagar uma bela pensão pro menino e alugaram um apartamento próximo. 

Com o nascimento o que a família temia aconteceu. Gabi largou o apartamento foi morar no interior do estado com a avó. 400 Km de distância! Passou a não atender mais os telefonemas e, nos poucos contatos, só admitia visitas aos domingos. Aos poucos, passou a sair aos domingos sem dar explicações. Era uma longa viagem de ida e volta em vão. A situação foi se agravando até que ficaram dois meses sem contato!

Fábio estudou muito sobre o caso e foi à justiça garantir o direito de visitação ao menino.  Liminar concedida, agora poderia ver seu filho todos os finais de semana. Baita vitória. A esta altura, já estava tão envolvido que passou a estagiar num escritório de advocacia especializado em direito de família. 

Quando foi fazer a primeira visita a seu filho, na portaria do prédio o esperava um camburão com dois policiais. Fabio não poderia se aproximar de Gabriela, sob pena de prisão.

Dias antes, Gabriela noticiou na delegacia uma ameaça de agressão e, se aproveitando da Lei Maria da Penha, conseguiu uma ordem judicial para que Fábio não se aproximasse dela. E do menino,  claro, pois tinha apenas sete meses. 

Tudo mentira!!! Que sujeira, Fabio estava alucinado!!! Gabi tocava na pior ferida.  

Como se alguém que não sabe perder pegasse o organizado tabuleiro da vida dele e jogasse pro alto, não deixando uma peça no lugar!!! E era Fábio que tinha de arrumar tudo.

(em solidariedade aos amigos disléxicos, continua numa próxima postagem...)

domingo, 8 de abril de 2012

flashes 20.2


(Continuação)
E naquele mesmo dia iniciaram os treinos. Comecei confiante como sempre! Aquela doideira toda não poderia ser em vão, pensava. 

Na medida em que o treino foi passando parece que fui sentindo uma descarga emocional por todo o stress passado. Estava desestabilizado, frágil. Não me reconhecia! As pernas não respondiam. O corpo estava trêmulo, sem forças... e o pior, a cabeça tentando entender tudo aquilo - que nunca havia ocorrido comigo! E foi acontecer logo numa grande oportunidades destas!!


Isso me comia a cabeça, piorando toada a situação.

Eram quinze dias de testes mas no terceiro dia já estava derrotado, entregue. E novamente ninguém falava nada. Nem bom, nem ruim. Eu não existia naquele local. Sem contar o preconceito que os estrangeiros sofriam na concentração. Aos poucos fui sabendo que o Olympique de Marseille estava para ser rebaixado pra segunda divisão. Falido. Era um verdadeiro salve-se quem puder, roubalheira descarada. Muito desorganizado. A imprensa caía em cima, diretores sendo investigados pela polícia, etc.


Percebi que o melhor era ir embora, pois meus pais, sempre em contato comigo, tinham uma outra oportunidade na Espanha. Iria direto. 


Só que a passagem de volta estava marcada para dentro de dez dias. Ao falar com um diretor sobre a minha necessidade de partir naquele momento, ouvi: "Não temos dinheiro para remarcar sua passagem, você vai esperar os dez dias. Só vai embora na data marcada!"


Com aquela grosseira resposta me dei conta que só me restava uma coisa: dignidade.  Não tinha mais nada. O sonho havia acabado, fui totalmente desrespeitado. Estava na merda! 


Liguei o foda-se. De bate-pronto respondi: "vou embora agora! Estava na minha casa, vocês me enviaram as passagens, me trataram muito mal, aliás, vocês tratam mal a todos - principalmente aos africanos (que viviam acuados e sob constante ameaça de serem demitidos)! E agora você me diz que tenho que esperar dez dias!!! Nunca! Estou indo agora na polícia dizer que vocês estão me prendendo aqui e me proibindo de ir embora! Sou estrangeiro e menor de idade! Outra coisa, daqui vou direto pra Espanha!"


Isso tudo em tom de esporro. Da mesma forma que eles se dirigiam a mim. Antes de ir à polícia passei no Centro de Treinamento (estava no alojamento) e paguei geral, com o mesmo discurso, para um diretor nojento que tinha lá. Eles se desesperaram e me pediram um dia. 


A circunstância me fez ver que existem coisas mais importantes que o futebol. No dia seguinte estava embarcando para a Espanha cheio de esperança atrás do meu sonho. Afinal, o show tem que continuar!

sábado, 31 de março de 2012

Flashes 20.1



Meu pai me liga, eu estava jogando em São Paulo, e avisa: "Chegaram as passagens! Pega o primeiro avião correndo que hoje a noite você embarca pra Marseille, França."


Por fim tinha saído! Foram semanas de ansiedade. Iria ao Olympique de Marseille para uma temporada de quinze dias de testes. Lindo! 

No voo, um detalhe que nem estava na história mas acabo de me lembrar. Ao invés de me imaginar brilhando em campos europeus, sento ao lado de uma senhora que veio falando mal de jogador de futebol do início ao fim. E olha que a viagem é longa!


Que jogador é mal educado, que fala alto, que gosta de pagode, que não fala francês direito,  que só faz zona, etc. Não parava. No final, claro, ela pergunta: "Vai estudar na França?". Não. Jogar futebol, respondi. Mas a vontade era dizer: "Não. Vou matar velhas. E na porrada!" Ela ficou desconcertada.

Chego em Marseille esperando aquela recepção calorosa. Deixei a plaquinha com meu nome na mochila, afinal, quem não me reconheceria???  

Aeroporto muito pequeno. Desembarco. As pessoas vão encontrando seus amigos e parentes.. o aeroporto vai esvaziando... tiro a plaquinha da mochila... não sobra mais ninguém no aeroporto pra esperar quem chega.


Será que ninguém veio me buscar? O desespero começa a bater... coloco  plaquinha no pescoço... quando surge uma pessoa no aeroporto andando rapidamente. Ufa, vieram. Detalhe que não falava nada em inglês, muito menos em francês

Me dirijo a ela, já aliviado, e nem me lembro como, descubro que é a faxineira do aeroporto que, com a delicadeza peculiar dos franceses, me dá um esporro e me expulsa, pois era meia-noite e o aeroporto iria fechar!!!

Fudeu!!! Fudeu mesmo!!! Tinha 18/19 anos, num país estrangeiro, cheio de malas, perdido, sendo expulso do aeroporto, sem ninguém pra me buscar. Fora isso, agora em segundo plano, estava meu teste no Olympique de Marseille que iria por terra caso não chegasse no clube.

Foi quando lembrei que meu pai exigiu que, além da passagem, o empresário enviasse o endereço da concentração e do centro de treinamento. Estava no meu bolso. Saí do aeroporto e peguei o último taxi, que nem sei o que fazia alí, já que fazia tempo que não tinha mais nenhum passageiro no aeroporto.

Chego na concentração e... fechada! Pior, tudo apagado. Era madrugada! 

Por sorte, Robson, brasileiro, que havia chegado no dia anterior estava com insonia, desceu pra beber água, e ouviu um barulho do lado de fora e abriu a porta. Que sufoco!!!

Dia seguinte, mais uma loucura. A concentração estava praticamente vazia. Só Robson e mais uns dois africanos. Era uma sexta-feira e nem sinal de diretor, treinador, jogador, treinamento... ninguém veio falar comigo. Comia, bebia, andava, ligava tv, desligava... se houvesse pulado o muro estaria na mesma situação. Só no sábado fui descobrir que o dia anterior era feriado, por isso o deserto. Vida que segue.

Na segunda começa um movimento normal de clube. A concentração enche. Muitos africanos  e franceses. Só que de novo não sou apresentado a ninguém, ninguém vem falar comigo. Robson, que era mais novo, sai cedo no ônibus do clube e vai treinar. Minha categoria era outra, não tinha ônibus. Fico num vácuo total. Como explicar o acontecido pra alguém?? 

Perdi o primeiro dia de treino. No dia seguinte arrumo uma carona e vou ao centro de treinamento. Me sinto um baita ET. Começo a falar com as pessoas e a tentar explicar o ocorrido. Chego a triste conclusão que ninguém sabia da minha existência, ninguém sabia da minha vinda, ninguém tinha autorizado minha viagem, ninguém sabia explicar como a passagem de avião chegou na minha casa... eu não era ninguém!!! 

E não pensem que as pessoas ficaram comovidas. Era mais tratado como maluco do que outra coisa. Mas, uma vez lá, vamos aos treinos. E naquele mesmo dia começariam os testes. 


Dentro de campo eu seria notado.

(Em respeito aos amigos dislexicos,  continuamos a história numa próxima postagem, 20.2)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cosas de la vida 6


A notícia da Síndrome de Down na criança deixou Ana, ainda grávida, triste. Logo depois bateu um ânimo, uma força interior buscando conforto e resposta.

"Deus não dá uma cruz maior do que podemos carregar"; "isso não acontece por acaso"; "ela precisa da minha ajuda e não posso abandoná-la"; "isso será uma lição pra mim e pra todos"; "com certeza ela terá muito para me ensinar"... - esses eram os pensamentos que rondavam a cabeça de Ana.

E com o passar dos anos foi isso mesmo que aconteceu. Bruna, sempre alegre, era o xodó da família.


Ana tinha sempre em mente que a doença não poderia abalar a menina. Natação, música, estudos, dança, teatro, balé. Bruna fazia de tudo. Ana estudava a fundo sobre a doença e estava sempre buscando novas idéias e tratamentos para que Bruna se desenvolvesse.

Até que vem uma triste notícia: Bruna, com três anos, estava com LEUCEMIA!

Então começa uma rotina pra lá de dura, agoniante! Meses de tratamento no hospital. Uma alternância entre pequenas melhoras e grandes recaídas que não parecia ter fim!

E Ana, sempre confiante, cada vez mais estudava a doença em busca de soluções.

Até que não tinha mais jeito... o óbito era inevitável... a pequena Bruna já estava em coma por alguns dias. E Ana vendo sua filha partir buscava uma explicação, um sentido...

Até que, entregue, sem forças, Ana simplesmente parou... parou de estudar, de pensar, de controlar...   e se aproximou de Bruna... olhou de perto, ficou perto... teve uma sensação que nunca havia experimentado: estava olhando para a filha e não pra doença!  


Foi ali que ela se deu conta de quanto tempo havia perdido com a doença e quanto deixara de aproveitar a pequena Bruna... até que ela partiu!


Esta foi a maior lição que ela deixou. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cosas de la vida 5

Chifre em cabeça de cavalo

“Dr. juiz, me prende!”

“Como assim?!?!?!”

“To devendo pensão pra minha mulher. Ela já pediu minha prisão. Eu não tenho dinheiro. Me prende logo, sou advogado e conheço meus direitos!”

Vendo que o sujeito estava convicto e, aparentemente, sob nenhum efeito de drogas: “Então me faz um pedido escrito no processo.” Falou duvidando...

Pedido feito. Ordem concedida. O policial chega na sala com as algemas e...

“Que isso, animal! Pra que algemas?? Não ta vendo que o homem ta indo por livre e espontânea vontade. Você acha que ele vai fugir? Leva ele.” E foram pra prisão no carro do futuro presidiário.

Passados alguns meses, o mesmo homem peticiona ao juiz pedindo autorização para efetuar o pagamento de toda a dívida da pensão e o consequente alvará de soltura.

Dívida paga, homem solto.

Passado outros alguns meses, o homem volta à sala do juiz: “Quero agradecer muito à Vossa Excelência.” E continua: “Você salvou minha vida financeira.”

“Ah?!?!?” – estranhou o juiz.

“Isso mesmo. Eu estava quebrado de grana. Chegando na prisão, fiz amizade com o delegado. Ele gostou de mim e me passou um inventário da família dele. Nos dias de visita, prestava consultoria pros familiares dos presos. Peguei várias ações trabalhistas, dano moral, defesas criminais. E mais, pedi pra minha família mandar uns livros de direito penal e processo penal; passei a dar aulas pro presos. Eles adoravam e me pagavam pra isso. Juntavam cinco, dois, três reais... o que dava. Deu um reforço.  Hoje to cheio de cliente. Devo isso à vossa excelência.”

E saiu!

Sabe aquela história de procurar chifre em cabeça de cavalo? Ele achou! 

Nem Mandela foi tão inspirado...