terça-feira, 17 de maio de 2011

Excelências à parte 6


O Tribunal do Rio se deparou com o seguinte caso.

Um casal foi jantar num restaurante de luxo. Então, pararam o carro em frente ao estabelecimento, se depararam com um senhor muito bem vestido, deixaram a chave para que ele estacionasse, e entraram.

Num ambiente refinado, degustaram, como entrada, queijo de cabra caramelizado num leito de tomate, sálvia e alho-poró. Como principal, pediram mexilhões com batatas, à moda belga e coelho ao vinho com purê de baroa.  Uma delícia.

Tudo acompanhado por legítimos Romanée-Conti, safra 2003. De sobremesa: crepe de chocolate com morangos flambados.

Divino! Uma noite perfeita!

Pagam a conta, elogiam o serviço, se despedem do maitre e aguardam pelo carro. Enquanto aguardam, talvez turbinados pelas 6 garrafas de vinho, inciam uma troca de afagos... os cafunés vão esquentando... uma molecagem daqui, uma mordidinha na orelha dali... um olhar mais indecente... era um prenúncio de que a cobra iria fumar!

Mas... cadê o carro??? Já se passaram quinze minutos e nada!

"Cadê o manobristra com nosso carro???" perguntam ao maitre

"Manobrista?!?!?! Senhor, nós nunca trabalhamos com manobrista!" - respondeu o gentil funcionário.

"Então, quem era o sujeito que pegou a chave do meu carro para estacionar???" - questionou o cliente, a esta altura, seguramente, com a borracha amolecida.

"Provavelmente um ladrão, senhor. E, com todo respeito, não acredito que ele tenha ido estacionar seu veículo."

Pois é. Foi exatamente isto! O tal senhor muito bem vestido, do início da história, era um ladrão que teve seu trabalho facilitado pelo descuído do casal.

O casal, se sentindo enganado, foi à justiça, contra o restaurante, pedir indenização.

Resultado: O casal perdeu, pelo fundamento que o restaurante nunca, em momento algum, assumiu a responsabilidade pela guarda do automóvel do casal e seria impossível culpá-lo pela insegurança urbana (pra não dizer desatenção do casal).

Fica o aviso: um bom restaurante certamente não te dará dor de barriga, mas poderá te dar dor de cabeça.  

sábado, 16 de abril de 2011

Excelências à parte 5

(Mais uma vez enrolado no lap top, não reparem a falta de acentos, tils etc)
Minha colega de escritório, Gabriela Marinho, se dirige a uma funcionaria do fórum e pede um determinado processo, quando ouve: "Mas porque você quer o processo???"

"Porque?!?!?! Como assim, porque!?!?!?", estranhou. (importante explicar: o advogado tem livre acesso a qualquer processo, desde que não esteja em segredo de justiça - o que não era o caso)

"Agora, Dra., o juiz esta' exigindo um motivo para tirar o processo da vara..." - surtou a funcionaria. 

"Motivo?!?!? Desde quando precisa de motivo... a lei me da' este direito..." - disse a mãe da Catarina, munida de um salto tamanho GG para compensar a ausência de centímetros.

"Ou me da' um motivo ou não leva!" - sentenciou, com a boa vontade habitual.

"Ok. O motivo e'e'e'e'e'... o motivo e' porque eu quero. Pronto. Vou levar porque eu quero."

"Bom... querer já e' um motivo. Pode levar!" - e entregou o bendito processo.

E levou mesmo!

Motivo. A funcionaria publica, assim como o Tim Maia, só quer um motivo. Seja ele qual for...

Falando em Tim Maia e motivos, outro dia foi noticiado que o Tribunal do RJ autorizou a exumação do corpo do cantor, para a realização de um exame de DNA, num processo de investigação de paternidade. O curioso foi o teor da decisão:  

"A alma e o espírito do falecido não serão incomodados e certamente estarão em estágio de 'sossego'. Tem o autor 'motivos' para a exumação do corpo do artista", decidiu o magistrado.

Sou sempre favorável ao bom humor. Mas, convenhamos, tem momentos que não cabe piada...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pobre mortal...



Estava saindo de um hotel e, como todo mortal, aguardava minha vez na fila para efetuar o pagamento das diárias e consumos realizados durante a estadia.

Até que um sem-mãe passa na frente de todo mundo, se aproxima do balcão, e ordena que antecipem sua conta. Mesmo alertado pelo educado funcionário, o animal insiste: "Enfrentar esta fila... adianta logo a minha conta!!"

"Mas senhor, a fila não está tão grande... aguarde só um pouco... ainda temos solicitar ao serviço de quarto que verifique o frigobar" - tenta contornar o atendente.

"Frigobar?!?!?! pode colocar cinco frigobares completos que eu pago agora!" - latiu nosso imbecil protagonista.

"Mas senhor, nã..." e antes que o empregado terminasse a frase, o filho-duma-égua vira as costas e vai embora, todo enfezadinho...

É  como dizia Pedro de Lara: TEM GENTE QUE É TÃO POBRE, MAS TÃO POBRE, QUE SÓ TEM DINHEIRO!


terça-feira, 29 de março de 2011

Cosas de la vida 1


Tem título de novela mexicana. Mas são histórias reais que me foram contadas. Afinal, toda história de vida tem traços de novela mexicana. A vida imita a arte, diz o bordão da Rede Globo.

Que história passou o garçom que te serve, a empregada  que trabalha na casa do seu vizinho, a avó do seu amigo, o menino que vende bala no sinal, o porteiro do seu edifício, o pedreiro que reforma sua casa???

Esta é a nova seção que se inicia.

"Tudo bem?"
"Tô melhorando..." - responde o pai.

Foi com este frio cumprimento que Agostina reviu seu pai, Sr. Tenório, depois de 55 anos.

Já não tinha mais notícias dele. Pensava que havia morrido. Mas não. Ele estava vivo, no interior do Estado, aos 95 anos, muito doente, mas vivo.

Agostina recebeu notícias do paradeiro de seu pai e "te levo lá", disse Sergio, filho da sua patroa. Ele tinha imensa curiosidade sobre o passado de sua querida caseira (sítio da família), que já estava com a família há 55 anos, servindo, em especial, à sua mãe, Dona Rosa.

A chegada de Agostina na casa de Dona Rosa nunca tinha sido bem explicada.

Depois da seca saudação, ficaram lado a lado, e não se falaram mais. Sequer se olharam. Vinte minutos e nada! Agostina é uma mulher muito boa, porém bruta, forte, dessas que parecem não ter sentimentos.

Então, na brincadeira, Sérgio diz pra Agostina: "É bom falar alguma coisa, senão te deixo aí, hein?!?!"

Agostina, então, explode e começa a chorar desenfreadamente... não dizia nada, apenas chorava. Seu pai permanecia imóvel. Sérgio, extremamente preocupado, desculpava-se constantemente.

Ao se recuperar, ela pede: "O sr. deixa eu levar ele?" Diante da situação, Sérgio não consegue negar.

No viagem de volta, no carro,  silêncio durante todas as três horas de trajeto.

Tenório era amigo de infância de Dona Rosa, apesar da grande diferença social. Ela, muito bondosa, permitiu que ele morasse com na casa de Agostina, que ficava nos fundos do sítio.

Altamente curioso, Sergio rondava Agostina, com muito cuidado, na esperança de entender toda aquela história. Até que saiu:

"Meu pai saiu para passear comigo e me trouxe na casa de sua mãe. Eu tinha doze anos. Minha mãe faleceu eu era muito nova.  Ele disse que ia comprar algo na rua, e nunca mais voltou. Só o revi naquele dia que o senhor me levou. Meu pai era um homem muito bonito. Admirava muito ele."

"E você não tem raiva dele???" perguntou Sergio.

"Que nada. Ele fez aquilo porque sabia que Dona Rosa ia cuidar de mim melhor que ele. Hoje, que eu posso, cuido dele. Estou fazendo o mesmo que ele, dando o melhor que posso. Pra mim ele voltou como se estivéssemos naquele dia, como se nada tivesse acontecido. Só não quero ser abandonada de novo. Nem de brincadeira. Isso dói!" 

E saiu, para dar os remédios de Tenório, como se nada tivesse acontecido. Hoje vivem juntos, na casa dos fundos, como se nada tivesse acontecido. Sequer tocam no assunto, está tudo bem resolvido, como se nada tivesse acontecido...   

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Paladar refinado!

Renata é uma pessoa de paladar altamente refinado.

É comum vê-la, na hora do almoço, degustando jujuba, biscoito presuntinho, brigadeiro, pipoca, fanta uva e outras iguarias...   

Um de seus restaurantes favoritos são aquelas barraquinhas de doces, que ficam nos pontos de ônibus. Já conhece todos os fiscais de ônibus, em especial os que cumulam sua função, com o ofício de vender doces, no ponto que fiscalizam.

Geralmente, eles cobrem o tabuleiro com aquela lona, enquanto trabalham. E, entre um um ônibus e outro, vendem suas guloseimas. Tenho a impressão que o diferencial destes estabelecimentos, é a mistura provocada entre o calor de 40 graus do Rio de Janeiro e a lona (de caminhão) que, de maneira higiênica, cobre o tabuleiro 

Pois é lá, meus amigos. É lá que minha senhora faz suas sagradas refeições.

Porém, no último final de semana ela se superou. Vamos ao cardápio, degustado ao longo dos dias, na ordem em que ocorreram:
  
Sábado: 01 kiwi; 01 fatia de mamão; 01 prato de macarrão com queijo ralado; 01 chocolate Alpino;  01 punhado de castanha de caju; 02 balas de café, 02 polenguinhos, 03 fatias de manga; 01 copo de suco Ades; 02 fatias de melão; 01 copo de nescau; 01 caju; 03 biscoitos de gergelim com requeijão, 01 cacho de uva; 01 chocolate Alpino; 01 pão de forma com requeijão... e, para fechar com chave de ouro: 01 ovo cozido!!

Domingo: soro!

Ocorre que no domingo, inexplicavelmente, a fofa passou mal e foi parar na emergência do hospital!! Até agora nenhum médico descobriu o motivo...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Flashes 18


Favela do Jacarezinho. Campeonato entre bocas de fumos. Cada chefe da boca montava seu time. E, para ostentar, os times desfilavam uniformes lindos. Tinha um que usava o conjunto completo do atlético mineiro (camisa, short e meião), outro do flu, botafogo, etc.

O meu, era o time do "campo do abóbora" (não me perguntem o porquê do nome).  Nosso uniforme era produzido só para o campeonato. Advinhem a cor? Preto e branco (não me perguntem o porquê).

Eu, com aproximadamente 16 anos, saí de casa por volta das 19 horas. Peguei o metrô e saltei na estação Maria da Graça. De lá até o campo, caminhei, talvez uns 20 minutos, entre ruelas e bocas de fumo. Tudo era vendido e consumido na frente de todos, sem constrangimento. Local escuro. Eu, feliz da vida - e sem noção de perigo -, fui me informando, com traficantes e moradores, onde era o campo. Fui chamado pelos meus amigos do Olaria, que moravam no Jacarezinho, e queriam que eu reforçasse o time do abóbora.

Chego e a partida já havia começado. Tomo um esporro,  troco de roupa correndo, e entro no campo. Pra compensar o atraso, e tentar entrar logo no ritmo do jogo - que pegava fogo -, iniciei marcando muito firme, reclamando com o juiz e fazendo outras fanfarronices. Afinal, era mata-mata.

Até que, num determinado momento: faço uma falta forte, sequer peço desculpas, e ainda reclamo com o juiz. O árbitro, ao invés de me advertir com cartão, fez algo muito mais eficaz. Colocou a mão no meu ombro e disse, em tom assustadoramente calmo: "Filho, acho bom você chegar devagar. Você não está em casa, não. Abre o olho!" 

Foi quando olhei ao redor e vi que realmente não estava em casa. O campo estava lotado de gente - com fuzil, pó, pistola etc, e me olhando com caras nada amigáveis.  Entendi o recado!  Murchei totalmente, passei a jogar como uma lady. Perdemos o jogo. Não quiz nem ficar pra churrascada (e outras coisas) grátis que rolava depois das partidas. 

Fui embora da favela. Foi lá que aprendi a chegar devagar, pois jacaré com abóbora dá caganeira!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

É final de copa do mundo



É o Brasil em campo. É jogo de vida ou morte. Todos grudados na televisão.

A mídia dá cobertura total. São comentaristas/entendidos de todas as áreas discursando sobre cada detalhe. Agimos como uma criança: não nos cansamos de rever as mesmas cenas como se fosse a primeira vez!

Nosso patriotismo fica aflorado! Estamos no mesmo time do vizinho, do porteiro, do chefe, do moto-boy.  Saímos mais cedo do trabalho. Nos tornamos até mais gentis.

Vibramos muito. Lamentamos a oportunidade perdida. Quando eles estão com a defesa desarrumada e dão mole, jogamos junto - Mata! Acaba logo com isso!  Pô, não pode perder uma chance dessas... até minha avó faria!

Somos cento e noventa milhões de técnicos e comentaristas no assunto. Temos aquela soberba de brasileiro: se deixar chegar fica ruim pra eles. E fica mesmo.

Sou favorável, em caso de vitória, a dar um bicho de R$ 200.000,00 para cada um, afinal, é a nosssa imagem pro mundo. É uma conquista que não tem preço!

A missão é dar um pouco de alegria à um povo tão sofrido.

É o coração na ponta do fuzil! Pedala BOPE!

Só esperamos que no final tudo não volte a ser como era antes... pois não vai ter a menor graça

sábado, 9 de outubro de 2010

Gafes


Histórias verídicas.

1 - Dois amigos conversam informalmente.

"Cara, você é muito figura, queria te ver num reality show..."
"Reality show?!?!?! Que que isso??? Eu conheço o BBB e A Fazenda mas esse reality show, não. Onde passa???"


2 - Dois amigos conversam informalmente.

"Acho que vou votar no Tiririca pra deputado federal... Só tem porcaria..."
"Mas o Tiririca é candidato por São Paulo."
"Ô burro, é deputado federal, federal; Brasil todo!!!"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

voto consciente

(outra vez do lap top, por isso faltam acentos, tils etc)

Eufórica, Renata me mostra um vídeo no youtube, no qual Cidinha Campos (candidata a deputada estadual) esbraveja e xinga a todos na Alerj. "Enfim, encontrei uma candidata seria. Denuncia todo mundo. Bota pra quebrar mesmo!" - comenta, toda orgulhosa. E prossegue "o povo tem que aprender a votar, escolher o candidato pelo seu histórico..."

Liga pra mãe, pro pai, pra irmã. Me obriga a votar nela. Faz propaganda para as amigas...

De fato, Cidinha Campos (n. 12.212) - reeleita para o sexto mandato consecutivo - e' uma deputada muito atuante; famosa por seus discursos inflamados.

Então, a fofa chega em frente a urna e... deu branco! Qual o numero da Cidinha mesmo??? Esqueceu! Nada a faz lembrar... bate na cabeça, esfrega as mãos na perna... nada de lembrar. A fila cresce, o nervosismo também.

Então, opta pelo chute: 22.221... 12.112... 12.121... nulo... nulo...nulo... ate' que: 22.122. E aparece a foto de um tal de  Robertao, do PR!

Já cansada da situação, ela olha pra ele... ve um sorriso simpático, cabelos grisalhos, cara de gordinho amigo... pensa: "ele não vai fazer mal nenhum, tadinho... depois confiro as propostas dele no google..." e tecla CONFIRMA! - o inusitado acontece - voto pro Robertao!

O Robertao ate agora deve estar achando que seu segundo voto foi da esposa. E a esposa deve estar super constrangida imaginando que assim que terminarem as apuracoes o Robertao ira perceber que nem ela votou nele.

Pelo menos o voto serviu pra manter uma família unida. "Pela família, vote Robertao"

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Excelências à parte 4


Devido ao crescente número de faculdades de direito e, segundo a OAB, ao baixo nível dos profissionais no mercado, em 1996 foi criada a temida prova da OAB.

Um grupo de formados, reprovados na última prova, resolveu ir à justiça reclamar que a prova seria injusta, uma vez que só os os estudantes de direito se prestam a este teste. Segundo o grupo, seria uma "ofensa ao princípio constitucional da igualdade".

Os alunos entraram com uma ação popular contra a OAB, pedindo a anulação da prova que fizeram e que fosse obrigada a registrar-lhes como advogados. Pediram, também, que a OAB fosse proibida de aplicar a prova para todos os demais estudantes. 

Ação popular é a ação própria para o cidadão questionar atos lesivos ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.

Um exemplo de ação popular foi a movida contra o então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf,  por ter presenteado cada campeão da Copa de 1970 com um fusca. Ato lesivo ao patrimônio.

A decisão sobre a ilegalidade da prova saiu na última sexta-feira, 24.09.2010.

Quem ainda não fechou a página do blog pode estar estranhando: pode até ser ilegal,  mas onde tem ato imoral ou lesivo ao patrimônio numa prova dessas???  

Pois é, foi a mesma coisa que o juiz percebeu. Os estudantes entraram com a ação errada! E, nesse caso, o juiz nem pôde julgar. Mandou arquivar direto o processo.

Eles acabaram, sem querer, evidenciando a necessidade da prova.    

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O especialista.


Hoje estive num médico para resolver um antigo e incômodo problema que tenho no sono. O caso é importante. Procurei um  bom profissional. 

Me indicaram um renomado especialista. Só um médico em São Paulo, um no Rio Grande do Sul e ele, fazem o exame que eu iria fazer. O sujeito é palestrante na USP etc. Como todo bam-bam-bam, o figurão não aceita plano de saúde e atende com atraso. Até aí, faz parte do charme. 

Na segunda consulta ele analisa, na tela do computador, o exame que fiz. De repente, franze a testa, chega o corpo um pouco pra trás (como quem leva um susto) ... 

(eu estranho sua reação, afinal, o que poderia ser tão grave???)

Então ele reage e diz, assustado: "Marina Peixoto?!?!?!... sem foto... quem será essa pessoa querendo ser minha amiga no Facebook?!?!?!?!". O cara de pau ainda vira o monitor pra mim, que estava do outro lado da mesa!  

Incrédulo, absorvo o comentário. Olho sério pra ele, avanço meu corpo em sua direção e digo: "No facebook?!?!? Então não aceita! Se não conhece e não tem foto, não aceita!"

"Já descartei", responde o veterinário, digo, o doutor. E a consulta transcorre normalmente até o fim.

Tô até agora sem acreditar na reação dele. E na minha também.

sábado, 4 de setembro de 2010

Manual para os candidatos - encontre seu perfil e bom mandato

(Mais uma vez, estou enrolado no lap top da Patrícia - irmã Renata. Desconsiderem a falta de cedilhas e acentos.)




Galera, as eleicoes estão chegando. E' hora de aproveitar a bocada e se candidatar. Tem uma porção de vagas. Se você não quer gastar seu dinheiro com marqueteiros, eu posso te ajudar sem nenhum interesse.

Todos têm chance. Mas você precisa encontrar seu perfil.


Inicialmente, responda as perguntas e enquadre-se em um dos perfis abaixo. Depois, arrume um slogan e um numero cabalístico para registro. No final, junte-se com seus colegas de perfil e boa sorte.


Não se preocupe se você não sabe o significado de legislativo, judiciário ou executivo. Faca como os demais; ganhe e 'depois a gente vê como e' que fica'. 

Ah, se ganhar, não esqueça do amigo aqui. Atencao, vai comecar.


Você foi um astro dos gramados? Esta' cansado de não fazer nada? Não gostou de ser técnico de futebol? Faliu em empreitadas empresariais? Não aguenta mais financiar sua escolinha e/ou seus projetos sociais? Então você e' um candidato "EX-JOGADOR".
Slogans sugeridos -Vamos jogar juntos / Vote em quem sempre te deu alegria / E' hora de mudar.
Colegas de perfil - Romario, Bebeto, Marcelinho Carioca, Roberto Dinamite e Delei.

Seus projetos não saem da gaveta? Cansou de discutir abobrinha na Luciana Gimenez? Sua bunda já não e' mais a mesma? Não recebe mais propostas para novelas no SBT?  O mercado porno esta' em baixa? Então você e' um candidato "FAMOSO, PERO NO MUCHO". 
Slogans sugeridos - Vote em quem você conhece / Você sabe do meu passado / E' hora de mudar.
Colegas de perfil - Stephan Necessian, Mulher Pera, Tiririca, Ronaldo Esper e Maguila.

Seu pai e' um cacique na politica? Seu pai e' famoso? O reinado do seu pai precisa se expandir? O império politico do seu pai esta' acabando? Você precisa aproveitar a mamata enquanto seu pai esta' vivo? Cansado de dar perda total no carro e precisa se ocupar? Então você e' o candidato "FILHO DE PEIXE".
Slogans sugeridos - Quero dar continuidade ao trabalho do meu pai / Seguindo os ideais do meu pai... / E' hora de mudar.
Colegas de perfil - Luciano Eneias, Raul Gil Júnior, Rodrigo Maia, Leonardo Picciani, Clarissa Garotinho, Brizola Neto e Andreia Zito

E' famoso no seu bairro? Vende pipoca, e' camelo ou travesti? E' gago ou fanho? Não sabe ler no teleprompter? Não tem vergonha de chutar um balde, levar uma privada ou nariz de palhaco pro horário eleitoral? Topa BBB, casa dos artistas, senado federal, figuração na Marcia Goldsmith, teste de DNA no Ratinho? Então você e' o candidato "BIZARRO".
Slogans sugeridos - E' assim que o povo se sente... / Vamos jogar tudo na privada! / E' hora de mudar.
Colegas de perfil - Macaco Tiao, Sandra do Postinho, Quem-quem, Keith Marrone, Cleo (cleo neles) e Cowboy Maluco Beleza.

E' policial, professor ou me'dico? Esta' aposentado? Tem algum projeto, impossível ou genérico, sobre segurança, educação, saúde etc? E' enérgico? Ta' sem emoção na vida? Cansado do seu trabalho? Ta' afim de ver qual e'? Então você e' o candidato "CURIOSO".
Slogans sugeridos - Pela reducao da maioridade penal, vote... / Pela educação do nosso povo, vote... / Pela saúde do nosso povo, vote... / Pela família, vote... / Pelas crianças, vote... / E' hora de mudar.
Colegas de perfil - Marcelo Itagiba, Álvaro Lins, Chico Alencar, Professor Uoston, Tio Carlos e Dr. Jairinho.


Você e' rato gordo? Não tem mais o que roer? Já esta' há 1.000 anos na politica? Não quer largar o osso? Ja' foi todos os cargos possíveis e imagináveis? Já empregou a família toda? Comeu todas as secreta'rias e assessoras? Apesar dos escândalos vence todas as eleicoes? Jura que e' inocente? Então você e' um candidato DINOSSAURO
Slogans sugeridos - Não e' necessa'rio. Basta ter bons advogados.
Colegas de perfil - Maluf, Garotinho, Cesar Maia e Sarney

Você e' feio? Muito feio? Horroroso mesmo? Revoltado sem causa? Revoltado com causa? Revoltado com sua feiura?  Teu cabelo e' ruim? Sua roupa não combina? Nem tudo esta' perdido. Saiba que o PC do B, PCB, PCO, PRONA, PSB, PSOL, PSTU e PCO te esperam de bracos abertos. Você e' o candidato "PATINHO FEIO"
Slogans sugeridos - Pela estatização da Petrobras / Trabalhador vota em trabalhador / Terra para todos (mesmo morando na cidade) / Salário mínimo de R$ 5.000,00 / E' hora de mudar.
Colegas de perfil - Jandira Feghali, Deputado Baba', Luciana Genro e Heloisa Helena. 

Agora, se você e um cara se'rio e bem intencionado, aproveite que o prazo para registro de candidatos já acabou, prepare-se decentemente para as pro'ximas eleicoes, e, nesta, vote consciente, por favor!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Retrato falado


"lindo. Olhos de tigrinho; pêlos do peito em forma de coração; pernão e bundão; pezinho assim ó (movimenta as mãos em forma de parenteses) em degrade... arredondado.... ééééé... deixa eu pensar... ah, lindo! Pronto. "

Esta foi a forma que a Renata me descreveu, para toda a turma, num curso de palhaço que fizemos. Detalhe: eu estava lá na frente sendo visto e analisado por todos durante a precisa descrição. 

O mais constrangedor, além do 'olhos de tigrinho', foi ter que levantar a camisa para mostrar que realmente meus pêlos do peito são em forma de coração. 

O amor é cego. Mas é fofo.

domingo, 29 de agosto de 2010

la garantia soy yo



(nao reparem a falta de acentos, cedilhas, tis etc. Estou completamente perdido no lap top da Patricia - irma da Renata)


De volta ao blog apo's fe'rias forcadas (mudanca, trabalho, estafa, diarre'ia...). Vejam do que escapei. 


Ligo para a mudanca e peco a entrega de meus mo'veis em minha moradia proviso'ria. Eis que sucede o seguinte dia'logo ao telefone:

"O endereco para entrega e' Rua Vice-Governador Rubens Berardo, numero xx/xx." digo.
"ok." respondeu rapidamente o entregador.
"mas como e' que o senhor vai entregar corretamente se nem anotou o endereco???" estranhei.
"nao preciso anotar... eu ja' gravei."
"pode repetir o endereco???" duvidei.
Entao ele comeca: "Rua Vicente xx/xx."
"Vicente?!?!?! amigo, esquece. Vou contratar outra empresa!"

Po, uma rua com nome tao grande e o cara nao acerta nenhuma palavra! Nao quero nem imaginar onde iriam parar meus mo'veis...


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Convidados 10

Fazendo um flash back, voltamos à viagem de carnaval. Maranhão. Minha irmã Angélica é a convidada da vez e quer relembrar alguns personagens inesquecíveis daquela terra.


Com a foto deles, dá para se ter uma visão melhor das figuras, que são massa! Manda aí.


"Maranhão

Personagens...



Batissá - 10 filhos - parteira - morava em uma casa no interior de Alcântara - segundo suas historias, fez seus próprios partos (ela e o espelhinho), ou seja, SOZINHA - VAI?!?
Arrumou um namorado francês - 35 anos mais novo - e hoje tem um "restaurante" - Há, presente do francês!Ela revela seu segredo para conquistar homens mas novos: a diferença é o trato!


Seu Didi - vivia em um povoado no interior de São Luis, ou melhor, no meio do mato - 80 anos - tio avo - nunca tomou cerveja, só pinga, até seu aniversario de 80 anos. Piscina??? Nunca viu. Nós é que apresentamos.
 ... Ultimo dia de viagem, fomos para o aeroporto (eu e Israel) mas, por ironia de destino, o nosso vôo foi cancelado e a companhia nos direcionou para um hotel em frente ao mar, com piscina, sauna e tudo mais... demos uns pulos na cama e ligamos para a pequena família (minha avo criou 11 filhos) e avisamos da possível farofa. E assim chegam as pessoas.
Quando esse personagem olha a piscina, diz: - É para banhá?
Falamos: - Sim! Coloque sua sunga!
Pronto! Concentrado e com respeito ao "mar", molhou a nuca e lavou as mãos antes de entrar na água.
E todos nós olhávamos surpresos.
Enfim, depois do ritual... Entrou...  desceu pela escada e, assim como no meio do mato, molhou logo a cabeça para se acostumar com a temperatura. E provou! - "É doce!", disse.
Riamos... E começamos a rodopiar com ele na piscina para celebrar o momento tão especial!


Delegado Rosanio – Tio – Humano - Contador de historias – depois da primeira garrafa... senta, que lá vem historia...
As historias são verídicas! Por mais que não pareçam!
- * -
... primeiro dia de trabalho, chega na delegacia/xadrez. Um Homem na porta.
 Rosanio se apresenta: – "Sou o novo delegado!"
O Homem fica nervoso, pede alguns minutos. Entra no presídio. E grita de dentro que ele poderia entrar!
Era o preso – só que agora dentro da cela!
- * -
...  O Juiz decidiu prender um Homem porque não pagou pensão de 20,00 reais para a sua ex-mulher. Esse Homem aparece um dia antes marcado na delegacia, para o depoimento.
Rosanio pergunta: - Por que chegou tão cedo?
O homem respondeu dizendo estar ansioso, querendo saber o que havia acontecido, pois era um homem honesto! Ele já havia explicado antes, que no povoado onde vivia não tinha dinheiro e sim troca! E ele sempre dava para a ex, frutas, peixes e o que podia.
Vocês acham que meu tio prendeu??"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Flashes 17

Meu primeiro time na Espanha. Empolgação máxima. 

Chego de manhã e de noite a equipe fazia um amistoso de pré-temporada. Começaria, já no jogo, um período de testes. Fui escalado pro banco. Não conhecia ninguém.

Entro no intervalo. Lembro de ter dado um migué na marcação, inclusive tomamos um gol nas minhas costas. Estava mais preocupado em mostrar serviço com a bola no pé. E foi o que fiz. Vencemos o jogo, participei bastante e criamos várias oportunidades. O jogo fluiu bem e a torcida saiu satisfeita. Vale lembrar que, por ser o único brasileiro do time, despertava muita curiosidade na torcida.

Saí muito satisfeito. Vi o presidente rindo a toa. Os comentários foram bons.

No dia seguinte, no café da manhã, o treinador (que não havia falado comigo em momento algum) senta à minha mesa e, sem dar sequer um 'buenos dias', fuzila "É só isso que você tem pra mostrar???" sem me deixar responder, atira "você acha que me engana com esse joguinho ridículo??"

O leite azeda. O queijo fede. E eu, ainda sem reação, continuo calado. Já ele, segue massacrando "Porque você acha que eu devo ficar com você???"  

Sem saber o que dizer e, considerando que ainda não dominava totalmente o idioma, falo pela primeira vez "eu quero muito ser aprovado..."

Parece que era tudo o que ele queria ouvir. "Trabalhei por quinze anos no setor de testes do Rayo Vallecano. Lá, chegavam todas as semanas, ônibus lotados de africanos para fazerem testes. Com certeza, eles precisam muito mais do que você. Eu reprovava praticamente todos; isso não me diz nada! Você está com algum problema físico???"

"Estou sentindo uma dor no dedão do pé direito." Até era verdade. Mas a esta altura já nem sabia mais o que dizer... tentei apenas me defender.

"Então vai pra fisioterapia e só sai de lá 100%, ainda que demore meses pra melhorar. Depois você continua o teste garoto." Concordei com a cabeça, até porque, naquela altura, com toda a simpatia demonstrada, não haveria outra solução.

Fui pra fisioterapia. No caminho, dei meia volta, regressei pro hotel, peguei minhas coisas e fui embora. Não tinha tempo à perder. Preferi assombrar em outro castelo...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Flashes 16


"Dois hamburgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles num pão com gergelim... é big mac!"

Era pedir a promoção do Big Mac, cantar a música acima e faturar um hamburguer grátis. Treinei muito. Não poderia errar. Ou cantava certinho ou não levava o brinde. Quando estava craque na música resolvi ir ao McDonald.

Fim de semana. Segundo piso do Rio Sul. Loja cheia. Filas enormes. Medo de errar, vergonha... pensei seriamente em desistir. Tinha a certeza que, além do balconista, teria um gerente/fiscal para avaliar se eu estava cantando corretamente. Qualquer deslize seria fatal. 

Mas meu treinamento não poderia ser em vão. Estava com a  música na cabeça e tinha que me concentrar. Aquele pensamento negativo poderia prejudicar minha performance, principalmente diante de tanta gente.

Enfrentei a fila toda, pedi a promoção nº 01, recebi o lanche e nada do funcionário me pedir para cantar a música. 

Até imaginei que, pela correria do atendimento, tivesse esquecido. Ele, inclusive, já estava atendendo o cliente seguinte.

"Ei, ainda não cantei a música da promoção" - falei.

"Música?!?!?!" - disse ele com uma entonação de 'que moleque idiota'

"Eu quero ganhar o hamburguer" - me defendi.

"Então canta" - falou, certamente pensando 'deixa esse merda cantar, senão a fila não anda...'

Me concentrei, respirei fundo e "Dois hamburguers, alf..."

"Próximo!" - disse o impaciente funcionário me interrompendo, olhando pro próximo cliente e jogando o hamburguer, de qualquer jeito, em cima da bandeja...

Ganhei o presente mas não cantei a música. Mesmo sendo moleque percebi que essas promoções são para enganar trouxa. Me senti um trouxa. Até porque nem aguentaria comer o hamburguer, depois da promoção...