sábado, 20 de setembro de 2014

Ajudas


Era uma vez um sujeito que sempre fazia o bem. Auxiliava o próximo com alimentos, agasalhos, bens materiais e valorosos conselhos.

Esclarecia e consolava indistintamente, fosse conhecido ou não, amigo ou inimigo – pois entendia que o inimigo ou desconhecido de hoje, com amor, era o amigo de amanhã.

Foi desenvolvendo visão universalista entendendo que todos somos natureza, respeitando a vida e a dignidade dos animais e do meio ambiente.

Foi percebendo o sofrimento era uma ferramenta necessária para que o ser humano se mobilizasse.

Porém, foi notando que mesmo com todo o sacrifício no bem, muitas coisas continuavam estagnadas em sua vida, invariavelmente o vazio lhe consumiam a alma...
Aliviava o sofrimento alheio. Mas e o seu? Os dias se passavam sem resposta... o que aumentava sua angústia e depressão.

Até que num desses trabalhos ouviu de um inspirado aluno:
“Aprendi com você que nos enxergamos no outro. Ajudar é desenvolver e afiar as ferramentas para melhor nos conhecer. Por mais que ajudemos não temos como fugir de nossas questões, de nossas mudanças, que são tão dolorosas e difíceis. Não dá para barganhar conosco. Não se enfrentar é viver estagnado, sem sentido. Com todo o seu talento em ajudar, você deve ser muito bem resolvido e enfrentar todas as suas questões. Te admiro.”

Ele percebeu que só conhecia o próximo.

Um comentário:

Renata Andrade disse...

Seu maior oponente está dentro de si mesmo. Tarefa árdua e difícil de se executar.
Ótimo texto. Sigo sendo sua fã.